Goodison Park on fire com o menino! (Photo by Alex Livesey/Getty Images)

O que você estava fazendo com 18 anos na sua vida? Estudando o primeiro ano da faculdade? Começando um cursinho preparatório para o vestibular? Se formando no ensino médio? Tirando um ano sabático para decidir o que fazer? Trabalhando com seu pai para poder bancar as saídas no final de semana? Para grande parte das pessoas do mundo essa é a realidade possível nessa idade. Pois bem, aos 18 anos, um jovem loiro inglês estava destruindo um dos times mais ricos do mundo e com um dos treinadores mais prestigiados dos últimos anos no meio futebolístico. Estamos falando de Tom Davies, cria dos Toffees que,  sempre usando os meiões arriados no meio da canela, trucidou o experiente time do Manchester City de Pep Guardiola, no dia 15/01/2017, no Goodison Park.

Thomas Davies, nascido em 30/06/1998 (durante a Copa do Mundo da França), na própria cidade de Liverpool, entrou na Academia de futebol do Everton aos 11 anos de idade. A partir desse momento foi ganhando notoriedade por seu trabalho sólido, por sua marcação firme e por sua energia que parece não acabar. Tem sido convocado com frequência para as seleções de base da Inglaterra, desde a sub 16. Hoje em dia é capitão da seleção sub 19. Pelo seu destaque, foi uma vez convidado por Roy Hogdson para treinar com a seleção principal no St James Park, quando ainda tinha 17 anos. Passados os treinos, ele revelou as palavras do técnico: “Continue ouvindo, continue aprendendo, continue fazendo o que você está fazendo”, aconselhou Hogdson.

Veja mais:
Dez jogadores que passaram pelo Manchester United e talvez você nem saiba
Por que um bombardeio em Manchester fez com que United e City dividissem o mesmo estádio?
10 jogadores que passaram pelo Leicester que talvez você nem saiba

O jovem Tom Davies

O futebol faz parte da família de Davies. Ele é sobrinho do também ex-jogador do Everton, Alan Whittle. Hoje com 66 anos, o inglês, também caracteristicamente loiro, atuou pelos Toffees entre 1967 e 1972, fazendo 74 jogos e anotando 21 gols. Whittle também veio da base do Everton e foi campeão da Liga na temporada 1969/70, sendo o terceiro artilheiro do time, com um gol atrás da lenda dos Toffees, Alan Ball (detalhe: Ball fez 12 gols em 41 jogos, já Whittle fez 11 gols em 18 jogos). Como se não bastasse, ainda marcou um gol no derby contra o Liverpool antes de ser vendido para o Crystal Palace. O irmão de Tom, Liam Davies, também é jogador profissional e atua no Tranmere Rovers.

Seu tio, Alan Whittle, quando atuava pelo Everton

O jovem britânico assinou o seu primeiro contrato profissional em setembro de 2015, por um período de dois anos. Em abril de 2016 veio sua estreia como profissional, ainda sob o comando de Roberto Martinez. No Goodison Park, em um jogo que terminou 1 a 1 contra o Southampton, Davies saiu do banco para substituir Darron Gibson e jogar sete minutos. No penúltimo jogo da temporada contra o Norwich (já sem Martinez), o inglês começou como titular e jogou os 90 minutos. No dia 3 de agosto de 2016, o jogador renovou o seu contrato com o Everton por mais 5 anos. Portanto, tem vínculo com os Toffees até 2021.

No dia 15/01/2017, Davies mostrou ao mundo o seu futebol e encantou os torcedores dos Toffees, ao ser o principal jogador da maior goleada já sofrida por Pep Guardiola em sua carreira. Os números da atuação de Davies não foram exuberantes, mas sua performance e entrega dentro de campo, sabendo fechar os espaços e puxando jogadas importantes foram decisivos no massacre ocorrido no Goodison Park. Durante a transmissão do jogo pela ESPN, o narrador Rômulo Mendonça até chegou a qualificar Davies como “onipresente”. Foi seu o começo da jogada que resultou no primeiro gol dos Toffees.

Ao interceptar um passe no meio de campo, o atleta correu com a bola e tocou em profundidade para Mirallas que rolou para Lukaku marcar. No último minuto do primeiro tempo, Davis salvou uma bola em cima da linha na cabeçada de Sagna. E para completar o dia mágico, o jovem inglês pegou a sobra de uma interceptação de outro jovem, Mason Holgate, e disparou pelo lado do campo. Com um drible de letra tirou dois marcadores e tocou para Barkley que devolveu para Tom que teve calma suficiente para dar uma linda cavadinha e matar o goleiro Bravo. Golaço!

Média de posicionamento de Davies durante a             partida contra o City (Dados: SofaScore)

Davies parece ter surgido em um momento propício para o Everton, quando este sofria mais com a transição defesa ataque, conforme já falamos em um texto anterior aqui. Davies tem personalidade, joga com a cabeça erguida. É agressivo no ataque, principalmente levando em conta seus passes longos e em profundidade. Ele tem uma média de passes de 17 metros. Joga como um verdadeiro camisa 8. A dupla com Barkley (ambos ingleses) funcionou de maneira magnífica. Além de tudo, é tenaz na marcação. Não desiste da jogada e é cheio de paixão pelo time que torce e que o acolheu. Tem muito a melhorar ainda em relação a precisão dos passes (sua média de acertos no último jogo foi de 67%) e precisa de mais calma na marcação, pois fez algumas faltas perigosas. Mas nota-se nele uma grande bravura para substituir ninguém menos que Idrissa Gueye, que é o líder de desarmes do campeonato, tendo roubado a bola 92 vezes e com média de 84% de aproveitamento nos passes, sendo considerado por muitos a melhor contratação da janela e uma das melhores do Everton em muitos anos.

Passes corretos em verde e errados em vermelho                          (Dados: Squawka)

O futuro parece brilhante para o garoto! Há muito a amadurecer ainda, mas é um fato que trata-se de um jogador que tanto o Everton quanto a própria Inglaterra precisam cuidar com muito carinho. Davies mostrou, em um jogo, ter o espírito que guiou grandes lendas do Everton no decorrer dos anos: raça e paixão, aliadas a uma boa técnica. O dia 15/01/2017 ficará marcado na história dele pelo seu primeiro gol como profissional, além de ter recebido o prêmio de melhor jogador em campo. Tudo isso com 18 anos!

Ele aplicou em campo o mote dos Toffees: Nil Satis Nisi Optimum, ou seja, nada é suficiente, senão o melhor!

 

Veja os melhores momentos de Everton 4 x 0 Manchester City, clicando aqui.

SHARE
Paulistano, 25 anos, estudante de Jornalismo na FAPCOM e apaixonado pela Premier League.

2 COMMENTS

  1. Olá! Muito bom texto, só gostaria de fazer uma correção:
    “Whittle também veio da base do Everton e foi campeão da Liga na temporada 1970-71” – O campeão da temporada 70-71 foi o Arsenal.

LEAVE A REPLY