O periódico inglês Telegraph divulgou uma lista com os 20 melhores brasileiros que atuaram pela Premier League desde sua criação. O que mais impressiona na lista são os nomes pouco conhecidos e a falta de grandes protagonistas.Outro fator é que, entre os 20, a maioria não deixa saudades aos torcedores de seus respectivos clubes.

No “top 10” do site, aparecem nomes como Roberto Firmino, em nono, que tem apenas uma temporada completa pelo Liverpool e ainda não tem uma história sólida na Premier League. O lateral Rafael, em sétimo, que mesmo com sete temporadas pelo Manchester United, jamais foi titular absoluto da equipe. David Luiz que saiu e voltou ao Chelsea, aparece em sexto, mas também não é um grande ídolo dos Blues.

O “top 3” é formado por Philippe Coutinho, em terceiro, que mesmo sendo o camisa 10 do Liverpool ainda é um jovem de 24 anos e jamais conquistou um título pelos Reds. Juninho Paulista, este sim, ídolo do Middlesbrough, aparece em segundo, mas que não passou por nenhum dos grandes clubes ingleses e, em primeiro, aparece Gilberto Silva, ídolo do Arsenal, mas, como volante de contensão, jamais foi “o cara” na equipe de Londres.

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O que leva os atletas brasileiros à posição comum de coadjuvantes no futebol inglês? Três fatores podem ser analisados: estilo de jogo, disciplina e adaptação.

O futebol brasileiro não evoluiu ao ponto de ser comparado ao futebol europeu – não só ao inglês. A Premier League já é diferente por si só dos outros campeonatos nacionais, ainda mais pra atletas acostumados a um futebol com menos funções táticas e mais obrigações técnicas. Os brasileiros não são acostumados a jogos de grande contato físico, de combatividade extrema e de alta intensidade.

Por falta de costume a esse estilo de jogo totalmente diferente, os brasileiros precisam chegar com alto nível de concentração, coisa que não é comum. É normal que vários treinadores tenham certa “birra” com jogadores do Brasil, como Louis Van Gaal, por exemplo. Foi enquanto o holandês treinou o Manchester United que o clube se livrou de Anderson, Fábio e Rafael, antigos brasileiros do elenco, por exemplo.

O baixo nível de concentração, aliado a dificuldade na adaptação ao futebol inglês, geram uma série de problemas dentro de campo. Outro fator interessante e que parece ser relevante é o idioma.

É comum que brasileiros se deem bem principalmente no futebol espanhol e italiano, curiosamente países de língua latina e que, mesmo com certa dificuldade, a comunicação flui de maneira mais simples que num país de língua inglesa.

Estes fatores podem representar a falta de sucesso de promessas brasileiras que chegaram à Premier League. Robinho talvez seja o maior exemplo. Contratado por cifras milionárias vindo do Real Madrid, o atual camisa 7 do Atlético-MG foi a primeira contratação de peso da fase milionária do City. Chegou fazendo seis gols nos seis primeiros jogos, mas decaiu vertiginosamente com o passar dos meses, o que culminou em sua venda ao Milan após apenas duas temporadas.

A maior esperança brasileira de sucesso na Premier League está, de novo, no Manchester City. Gabriel Jesus, titular da Seleção Brasileira aos 19 anos, vem colocando Sérgio Aguero no banco e já marcou três gols em três partidas pelos azuis de Manchester. O camisa 33 já conquistou os torcedores com seu estilo de jogo e vem sendo decisivo. O brasileiro é elogiado constantemente pela imprensa internacional e não vem sentindo a adaptação ao futebol inglês, o que para um atleta tão jovem é surpreendente.

Que Jesus evolua, empolgue, e não decaia e decepcione como fizeram nomes como Kléberson, Jô, Jardel, Júlio Baptista, Afonso, Gilberto, entre outros tantos brasileiros que tiveram passagens relâmpago pelo futebol inglês.

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Estudante de Jornalismo da Universidade Estadual de Londrina. Apaixonado por futebol inglês desde os Invencibles do Arsenal em 2004. Bergkamp é o rei de Londres, Henry é o príncipe.

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