O Manchester City confirmou hoje que, a partir de julho, sua equipe principal será treinada por Pep Guardiola, espanhol multicampeão pelo Barcelona e pelo Bayern de Munique.

A Premier League, liga mais rica do mundo terá a partir da próxima temporada a presença de um dos maiores treinadores da história do futebol.

O anúncio tomou rapidamente conta de todo o noticiário esportivo europeu e mundial, e todo esse frenesi é justificado: perspectivas de grandes mudanças para todos à sua volta.

Guardiola traz consigo um pacote de informações, conhecimentos, estudos e revoluções táticas que transformam drasticamente não apenas o clube treinado por ele, mas tudo que o envolve, até mesmo as seleções nacionais.

Guardiola pode ser a figura que faltava para a elevação do City e da Premier League.

O que muda para o Manchester City?

Quando o Bayern de Munique optou por trazer Guardiola mesmo tendo conquistado a tríplice coroa (Bundesliga, Copa da Alemanha e UEFA Champions League) sob o comando de Jupp Heynckes, ficou evidente que trazer Pep Guardiola vai além de uma simples questão de resultados e títulos.

O que o Bayern procurava, à época, era uma filosofia de jogo, um estilo tático que pudesse ser associado imediatamente à equipe.

No Barcelona, Guardiola promoveu uma verdadeira revolução, desenvolvendo um esquema permanente, disciplinado e superior a qualquer coisa antes vista na história do futebol. Quando escolhe Guardiola, é disso que o Bayern estava atrás.

Hoje, O Bayern possui, a exemplo do Barça, uma identidade tática duradoura que, como aconteceu os espanhóis, sobrevive à saída do treinador. Guardiola deixa o clube, mas sua transformação é intensa e permanente.

Esse é o acréscimo maior que Guardiola deve trazer ao Manchester City: a consolidação de um estilo de jogo.

A marca City dentro de campo. O time de Pellegrini pode ser bem montado, mas é uma simples formação 4-2-3-1 escalada com atletas de ponta do esporte mundial. Simples e eficiente, mas pouco.

O City precisa de afirmação dentro do campo para fugir do estigma de “apenas mais um time endinheirado” e entrar definitivamente para o hall de grandes equipes europeias. Guardiola é a chave para essa afirmação.

Com uma espinha dorsal bem composta – Hart, Kompany, De Bruyne e Agüero – Guardiola tentará encontrar no City um meio-campista fundamental na imposição de sua nova estrutura. No Barcelona, Busquets – até então pouco conhecido no futebol europeu – entrou e elevou o meio-campo do time a outro patamar.

Desde a chegada de Guardiola, Xavi e Iniesta se tornaram figuras constantes em qualquer escalação dos sonhos. No Bayern, Thiago Alcântara foi considerado por Guardiola peça fundamental para reestruturar a maneira de jogar do time. E no City?

Yaya Touré, jogador de muita qualidade, já não inspira tanta confiança. Com 32 anos, o marfinês vem caindo de rendimento.

Isso não se deve a nenhuma deficiência técnica do jogador, mas sim porque o estilo de jogo de Touré é muito relacionado ao sem potencial físico.

Pode ser importante, ainda, mas são boas as chances de outro jogador assumir esse espaço no Manchester City, especialmente após a chegada de Guardiola.

E o que muda para a Premier League e o futebol inglês?

Desde 2009, quando Cristiano Ronaldo se transferiu para o Real Madrid, a Premier League não tem uma referência.

Alguém que seja o melhor do mundo no que faz, seja em campo ou fora dele. Guardiola é esse homem.

Por mais que contasse com excepcionais jogadores e treinadores, o Campeonato Inglês não tinha uma figura que representasse, quase que indiscutivelmente, a imagem de referência maior na atividade que desempenha

. Cristiano Ronaldo era essa referência quando, em 2008, foi eleito melhor jogador do mundo pela FIFA, atuando pelo Manchester United. Desde então, existe uma lacuna no cargo de “superstar” da Premier League. Guardiola preenche esse vazio.

Além disso, a expectativa é de uma transformação tática. Mesmo sendo a liga mais rica do mundo, a Premier League não é referência tática para ninguém.

Por mais que os jogos sejam dinâmicos, rápidos e intensos, as formações táticas das equipes inglesas são simples e, para muitos na Europa, defasadas.

Não à toa, clubes ingleses têm dificuldade extrema em enfrentar outros times europeus, ainda que possuam um aporte financeiro maior, com 9 clubes (United, City, Arsenal, Chelsea, Liverpool, Tottenham, Newcastle, Everton e West Ham) entre os 20 mais ricos do mundo.

Não se sabe exatamente como será o City de Guardiola, mas já podemos esperar mudanças bruscas na forma de jogar do time.

Para competir com um time com um potencial tático elevado e muito dinheiro em caixa (informações do The Guardian já adiantam que Pep terá 150 milhões de libras à disposição na próxima janela de transferências), os outros clubes ingleses terão que estar no auge de seu desempenho. Chelsea, Arsenal, Liverpool e United vão ter que mudar se não quiserem ficar para trás.

Com Guardiola, a Premier League pode dar um salto de qualidade tática muito maior do que o esperado.

Klopp no Liverpool já colaborava com essa expectativa para a próxima temporada, mas Guardiola potencializa esse salto a níveis quase absurdos.

Como consequência, todo o futebol inglês – e, podemos incluir também – a seleção inglesa podem melhorar.

As duas últimas seleções campeãs do mundo tinham suas bases em equipes treinadas por Guardiola (Espanha/Barcelona em 2010, na África do Sul; e Alemanha/Bayern em 2014, no Brasil). Dessa forma, Pep é também uma esperança para o English Team, que já é desacreditado há um certo tempo.

Grandes coisas estão por vir na Premier League. E quem ganha com isso somos nós.

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