Se você perguntar para um torcedor a sua opinião sobre Ryan Giggs, a maioria vai enaltecer o ídolo do Manchester United. Se você fizer a mesma pergunta para um galês, no entanto, a resposta pode variar bastante.

Enquanto poucos questionariam a qualidade de Giggs em campo, a maioria duvidaria do seu comprometimento com a seleção de seu país.

O jogador deixou de representar o País de Gales nos campos sete anos antes de se despedir dos Red Devils, clube no qual atuou até os 40 anos.

Giggs foi a principal esperança do futebol galês entre 1990 e 2000, mas só atuou 64 jogos por sua seleção em um espaço de 16 anos. Em menos tempo, foi ultrapassado por Gareth Bale e até por Craig Bellamy.

A sensação das arquibancadas na estreia de Giggs na seleção, em 1991, quando se tornou o jogador mais jovem a atuar por seu país em uma partida contra a Alemanha, era de êxtase. Dois anos depois, ele marcou seu primeiro gol, ajudando o País de Gales a vencer a Bélgica por 3 a 0.

No entanto, Giggs perdeu os 18 amistosos seguintes da sua seleção e voltou a atuar em um amistoso só nove anos depois, em 2000, na abertura do Millenium Stadium. Esse período de ausência foi o catalisador de um amargo relacionamento entre Giggs e os torcedores galeses.

Em sua autobiografia, Giggs respondeu as críticas, afirmando que buscava evitar lesões. “Naquele período, toda vez que eu jogava duas partidas em uma semana, eu ficava com uma lesão. Então, eu e Ferguson sentamos e fomos avaliando jogo a jogo. Se Gales fosse jogar um amistoso, a ideia era que eu não precisava jogar”.

Existe pouca dúvida do papel que Sir Alex teve nas carreiras de seus jogadores, especialmente, quando atuavam por suas respectivas seleções.

Em uma participação recente no canal BT Sport, Rio Ferdinand contou como a relação entre ele e seu grande amigo Frank Lampard se deteriorou devido a um abalo na comunicação como resultado de seu desejo de ganhar pelo clube.

Ferguson, que fazia tudo para vencer, queria que os jogadores deixassem de lado suas seleções para dar 100% ao Manchester United. Algumas pessoas acreditam que a estratégia deu certo – Ferguson é o treinador mais vitorioso da história do futebol inglês – mas isso prejudicou a relação entre Giggs e os galeses.

Leia mais:
O outro lado de Ryan Giggs: fã de yoga, “traidor” e embaixador da UNICEF
Giggs montou sua “seleção dos sonhos” dos jogadores com quem atuou
A relação estreita entre o futebol do País de Gales e a Inglaterra

Quando Giggs se aposentou da seleção em 2007, houve pouca tristeza ou surpresa em Gales. O jogador que o país depositava suas esperanças estava abandonando sua nação novamente.

Giggs tinha 31 anos quando deixou de representar sua seleção, mas, em 2012, abandonou sua aposentadoria para atuar pela seleção da Grã-Bretanha nas Olimpíadas de Londres, decisão questionada por muitos torcedores galeses.

O que ajudou a decretar o fim da imagem de Giggs como o salvador de Gales não foi sua aposentadoria ou a falta de comprometimento, mas o surgimento de Gareth Bale.

Bale é tudo que Giggs deveria ter sido para os galeses. Ele é um jogador de muito talento, uma estrela global e é muito comprometido com sua seleção. É muito graças a Bale que o País de Gales está no atual patamar: deixou de ser “saco de pancada” para se tornar um time que pode bater de frente com as melhores seleções do mundo.

Muitos ex-companheiros de Giggs na seleção, como Iwan Roberts e Danny Gabbidon, já o defenderam das acusações de falta de comprometimento quando atuava com a camisa de Gales.

O próprio Giggs ignorou as críticas e reafirmou seu respeito à seleção. “Eu preferia passar a minha carreira sem conseguir a classificação para um torneio importante do que jogar por um país em que eu não nasci ou que meus pais não tivessem alguma relação”.

Texto originalmente publicado no These Football Times

Traduzido e editado por Pedro Ramos

SHARE
Ex-Esporte Interativo e ex-trainee do Estadão, formado em Jornalismo e Sociologia. Apaixonado pela Premier League. Twitter: @pedrohnramos

LEAVE A REPLY