“O status do Arsenal como um dos melhores clubes de futebol do mundo é, em grande parte, o legado de um homem, Herbert Chapman. Ele era quem, como gerente, transformou o clube dos lutadores da Primeira Divisão no clube mais famoso do futebol inglês”.

A frase utilizada por Stephen Studd no livro-biografia de Herbert Chapman relata bem o que o ex-jogador e treinador inglês fez ao Arsenal. Porém, o que ninguém sabe é que sua participação foi além. 

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O começo

Influenciado por seu pai, que era um mineiro, o homem que viria a ser um revolucionário no futebol era, por profissão, um engenheiro de minas, formado em uma das melhores faculdades da época, a Sheffield Technical College.

Durante 1897 e 1901, enquanto trabalhava durante a semana nas cavernas de minas, Herbert jogava como amador de clubes da cidade.

Na sua adolescência, Herbert jogou por diversas equipes, porém seu primeiro contrato foi quando se tornou atleta do Stalybridge Rovers na liga de Lancashire, que tinha apenas times pequenos da região.

Uma carreira sem muito sucesso como jogador

Chapman passou por vários pequenos clubes, sem muito sucesso. Até que uma proposta tentadora de Londres chega e Chapman se transfere para o Tottenham, time que já era grande na época.

Entretanto, em dois anos, praticamente, no banco da equipe, decide retornar ao Northampton. Quando soube que o clube estava à procura de um treinador, logo demonstrou interesse e acabou assumindo o cargo de jogador-treinador.

Os primeiros passos de Chapman como treinador

Chapman chegava ao time para ser jogador-treinador (Getty Images)

Chapman não se mostraria promissor no início da carreira como treinador, mas apresentava uma grande qualidade na análise tática do jogo. Ele notou que as equipes à época pouco se organizavam em sistemas táticos durante a partida.

Chapman desenvolveu um estilo de contra-ataque mais “tático”, que tinha como base a volta do meio-campo da outra equipe, onde os seus atacantes ganhavam mais espaço, tirando os defensores do seu local de conforto, a grande área.

Utilizando uma estratégia que seguiria com ele até o fim, convence o presidente a gastar excessivamente em contratações. Sendo um dos primeiros “managers”, alcançou um título nos dois primeiros anos.

Após ótimos resultados pelo Northampton, o Leeds City o convidou para comandar a equipe da Second Division. Com aval da sua equipe, Chapman aceita e se transfere. 

Antes da guerra e punição

Sua chegada na nova equipe seria trabalhosa, com o Leeds City em 19º na liga. Chapman foi às compras, trazendo jovens talentos e ajudou o time a subir para a 6ª colocação no final. Além disso, a equipe foi a segunda mais ofensiva do campeonato com 70 gols.

Porém, um evento fez com que Chapman tivesse uma parada evolutiva: a Primeira Guerra Mundial, que interrompeu a realização das competições de nível profissional, como o Campeonato Inglês.

Com diversos jogadores alistados nas Forças Armadas – outros saíram apenas por rejeitar os baixos salários pagos durante a guerra – a equipe participou de jogos regionais com atletas convidados.

O pior ainda estava por vir. Acusado por um ex-jogador de fraude no pagamentos aos atletas, o clube recusou a entrega de seus livros contábeis e, mesmo sem provas, foi expulso da Second League, com o técnico Herbert Chapman excluído perpetuamente do futebol em 1919.

Dois anos depois, enquanto era funcionário de uma fábrica de rações, o treinador foi convidado a virar auxiliar no Huddersfield Town. Chapman apelou à Federação Inglesa querendo a sua volta ao esporte, dizendo que era funcionário de uma fábrica de armas, e, portanto, estava longe do Leeds City, alvo das acusações.

Os primeiros títulos nacionais

Chapman, à esquerda, ao lado da equipe vencedora da FA Cup em 1922. (Getty Images/WE Turton)

Como assistente do técnico Ambrose Langley, ajudou a levar o Huddersfield a dois títulos importantes: a FA Cup e a FA Charity Shield, derrotando o poderoso Liverpool.

Em 1924, após contratações de jogadores de seleção, o Huddersfield liderou a competição nacional ao lado do Cardiff City, sendo campeão, já que sua média de gols era maior. No ano seguinte, repetiu o feito e levou o bicampeonato.

A revolução no Arsenal

Chapman, à esquerda, ao lado do time que conquistou o primeiro grande troféu do Arsenal (Site oficial do Arsenal)

Em 1925, após dois anos consecutivos beirando o rebaixamento, o Arsenal divulga uma nota nos jornais, informando o interesse em contratar um treinador. “O Arsenal Football Club está desde hoje aberto a receber propostas para a posição de treinador principal. Exige-se experiência e altas qualificações para o lugar, requerendo-se, em ambas, astúcia e grande personalidade”. Chapman acabou sendo o escolhido para assumir o cargo.

No mesmo ano, algumas regras do futebol foram alteradas pela FA. A principal foi a redução no número de atletas para que se validasse o ataque sem que houvesse impedido.

Antes eram três jogadores na frente – geralmente, goleiro e mais dois defensores -, porém, ao perceber a pequena quantidade de gols nos campeonatos, diminui este número para dois, que segue até hoje.

O jornalista Jonathan Wilson, em seu livro “A Pirâmide Invertida”, disse que a nova regra fez com que criasse um desejo de experimentação tática. Os times passaram a investigar os efeitos da utilização de um terceiro zagueiro em campo.

Herbert Chapman aproveitou as mudanças e criou um esquema tático que marcaria seu nome e o do Arsenal na história do futebol: o WM. A disposição posicional do time era um W na parte defensiva e o M ofensivamente.

Análise de Eduardo Cecconi sobre o esquema tático WM (ClicRBS/Eduardo Cecconi)

Este sistema renegava a presença de um centro-médio, sendo recuado à defesa, virando um terceiro zagueiro, e abria os seus “wingers”, os atuais pontas velozes.

O Arsenal defendia-se sem a bola, mas com ela, já a ligava com lançamentos aos lados do campo, saindo em grande velocidade chegando ao gol.

Após cinco anos sem títulos, com grandes contratações, Chapman chegou em 1930, com grandes contratações e os novos jogadores deram resultado logo de cara.

O elenco, que agora sim, compreendia o esquema tático do WM, conquistou a FA Cup. Nos anos seguintes, foi bicampeão inglês, marcando incríveis 127 gols na campanha do primeiro título.

O fim de uma história brilhante

A próxima temporada seria triste para o Arsenal. Uma forte pneumonia acometeu Herbert Chapman, que não resistiu à doença e morreu no dia 6 de janeiro de 1934.

Com 201 vitórias em 403 partidas, Herbert Chapman deixou um legado, fazendo com que seu esquema continuasse sendo utilizado durante toda a década, mesmo após sua morte.

O ex-treinador dos Gunners ainda é reverenciado em Londres, através de sua estátua no Emirates Stadium.

Para muitos, Herbert Chapman é o precursor do estudo tático no futebol, criando um perfil que segue até hoje: o treinador como um profissional estudioso e dedicado.

Começou a estudar o estilo de jogo do adversário, priorizou a preparação física dos atletas e passou instruções ao seu time através de preleções. Suas inovações e pioneirismo fizeram com que marcasse seu nome na história do futebol mundial.

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Tenho 17 anos e curso o último ano do ensino médio integrado ao técnico de Administração. Apaixonado por futebol e Jornalismo, sou redator do site PL Brasil.

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