Ravel Morrison
Ravel Morrison assina com o mexicano Atlas (Foto: Divulgação)

Se você acompanha o PL Brasil há algum tempo, por certo já deve ter visto uma enquete dessas em nossas redes sociais: Jogou com Michael Owen, Jack Butland, Joey Barton, Felipe Anderson e Rafa Marquez, qual o jogador? A resposta é Ravel Morrison.

De Owen a Barton, você até entende, o cara é inglês e tal… Mas como um brasileiro e um mexicano foram parar nessa história? A dúvida é tão curiosa quanto a carreira de Morrison, hoje com 24 anos, mas cuja trajetória começou profissionalmente em fevereiro de 2010.

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Nascido em Manchester, Morrison tinha tudo pra ser o ídolo de um United carente pela saída de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid. Rio Ferdinand, sempre muito sério em análises, certa vez disse que estava diante do “melhor garoto que já tinha visto na vida”.

Sir Alex Ferguson concordou com isto a ponto de colocá-lo pra estrear no time principal com apenas 17 anos. O retrospecto era bom: com Jesse Lingard e Paul Pogba, Morrison foi campeão da Copa da Inglaterra de base em 2011. Seria a nova “Classe de 92“?

Jesse Lingard, Paul Pogba e Ravel Morrison foram campeões juntos na base do Manchester United (Foto: Reprodução)

Morrison nem chegou perto da idolatria com os irmãos Neville, Ryan Giggs, David Beckham e seus redcaps. Saiu dos Red Devils com apenas três aparições, todas pela Copa da Liga Inglesa.

Depois de passar por West Ham United, Queens Park Rangers (duas vezes), Birmingham City e Cardiff City, foi parar na Lazio. O termo “passar” é bastante oportuno, pois o jovem atleta pareceu sempre estar “de passagem”.

Nessas idas e vindas, colecionou uma folha corrida de dar inveja a muito jogador bad boy, com agressões e até intimidação de testemunhas no portfólio. Fora dos holofotes, voltou a chamar atenção no último dia da janela com uma transferência à lá FM: Atlas, do México.

FM da vida real

O “FM da Vida Real” é logo ali, mas por que um inglês foi parar quase 8 mil km de casa na Liga MX? Você poderia perguntar o mesmo para Andre-Pierre Gignac e Keisuke Honda, por exemplo, que também foram experimentar um possível mexican dream.

“O Atlas queria fazer uma contratação marcante”, disse Dan Wilson, agente de Morrison, ao repórter Shamoon Hafez, da BBC Sport. “Eles entraram em contato e desde o início, demostraram muita seriedade para fazer tudo que fosse necessário para fechar negócio.”

“Fizemos uma pesquisa do campeonato e notamos que alguns jogadores de renome viram pra cá saindo de grandes clubes europeus. Gignac do Marselha, Honda do Milan, Valencia do West Ham e Juan Iturbe da Roma, pra citar alguns.”

“Foi uma decisão difícil, pois ele tinha algumas opções europeias. É muito difícil se mudar de país, imagine de continente. Mas o Atlas fez ele se sentir importante e o fator-chave foi que o técnico queria contar com ele”, completou Wilson.

O técnico, Jose Guadalupe Cruz, admitiu que sabia do histórico de Morrison e que trazê-lo seria “arriscado”, mas afirmou acreditar que as pessoas merecem o “benefício da dúvida”. O inglês precisou de apenas três dias para se convencer que queria estar lá.

Adaptação mexicana

Da Inglaterra para o México, muita coisa muda. O clima é um fator-chave, pois enquanto os mancunianos estão acostumados com os dias frio e chuvosos, a temperatura média de Guadalajara em outubro é de 27ºC. Viaja-se muito de avião ou ônibus.

O Atlas tem uma média de público de 35 mil espectadores, mais do que 10 dos atuais times da Premier League. O fanatismo independe de títulos: o time não ganha o campeonato desde 1951; na copa nacional, a última conquista foi em 1968.

Nascido no condado de Cheshire, Antonio Pedroza foi o primeiro e até então único inglês a jogar no futebol mexicano: Chiapas, Morelia, Cruz Azul e Toluca. Pedroza foi para o México com apenas dois anos com seu pai, mexicano, e a mãe, inglesa.

“Confesso que fiquei surpreso com a vinda dele pra cá”, disse Pedroza para a BBC Sport. “Ele teve alguns problemas, mas este é o futebol. Às vezes, você precisa fazer esse tipo de transferência pra ser feliz jogando e voltar para uma liga grande da Europa.”

“Os treinos podem ser difíceis pra ele, porque aqui o Sol nasce bem cedo, então às 10h da manhã já está bem quente. Alguns times treinam de manhã, mas todos os meninos se acostumam.”

“Se ele estiver com um bom contrato, pode facilmente pagar por uma mansão com piscina. Guadalajara é um lugar bacana, mas como qualquer outro lugar, possui áreas que são perigosas. Ele foi para uma das melhores cidades mexicanas”, completou Pedroza.

Início no Atlas

Com 18 times, a Liga MX é dividida em dois campeonatos por temporada, como manda a boa e velha cartilha latina de apertura e clausura. Os oito primeiros de cada turno se classificam para os play-offs, com mata-mata até a final de cada.

O Atlas é o 11º atualmente depois de 10 jogos, dois atrás do Cruz Azul, primeiro dentro do G8. Morrison acumula três aparições até o momento, saindo do banco de reservas em todas elas – foram duas vitórias e uma derrota.

🦊 we keep going strong as a team @atlasfc

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“Quando eu estava no Crystal Palace [2011-12], lembro-me de um jogo em que fui derrubado e o juiz marcou falta”, relembra Pedroza para a BBC Sport. “Sai correndo pra falar com o juiz, pedindo para mostrar o cartão amarelo para o adversário.”

“Nisso nosso capitão, Paddy McCarthy, veio correndo até mim, gritando ‘Você não pode fazer isso aqui, não tem liberdade pra isso’. Não entendi porque ele estava dizendo aquilo, pedi pra ele relaxar. Eu só queria amarelar um jogador deles, isso é normal no México”.

“O Morrison vai ter que se acostumar com essas coisas. Ele precisar estar em forma porque este campeonato é mais técnico – é menos intenso que a Premier League, mas aqui os jogadores podem correr e correr o jogo todo.”

Com o afastamento de Rafa Marquez por conta de um suposto envolvimento com um cartel de drogas, o Atlas carece de um ídolo. Morrison vai ocupar este posto, ou estaria, novamente, “de passagem”?

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