Pela 16ª rodada da Premier League e, segundo registros, pela 174ª vez na história, Manchester United e Manchester City duelam pelo que podemos chamar, ainda que na metade da temporada, do jogo mais decisivo da Inglaterra no ano.

Como se não bastasse a proximidade dos dois times na tabela de classificação da Premier League, o clássico ganha contornos de decisão em (muitos) confrontos particulares e, em especial, de uma espécie de provação das duas equipes.

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Manchester City: liderança isolada e futebol convincente

Arsenal, Chelsea Liverpool: todos já enfrentaram a dupla de Manchester pela Premier League. Para fechar os confrontos diretos entre as equipes do famoso top 6, só resta o confronto entre o City e Spurs, que, coincidentemente, acontece logo após o dérbi.

Eis a primeira superioridade do confronto: os Citzens venceram os três confrontos contra com os outros gigantes ingleses, com um saldo de gols acumulados que impressiona e reflete com perfeição a fase do lado azul de Manchester e companhia: 9 a 1.

Foto: Evening Standard

Por outro lado, os Red Devils, empataram com o Liverpool, perderam pelo placar mínimo diante do Chelsea e bateram a dupla do norte de Londres, Tottenham e Arsenal, respectivamente, ficando, no somatório dos quatro confrontos, com o saldo de 5 a 1.

Apesar de empatarem no número de gols sofridos, é o número dos tentos a favor que, por si só, reflete bem o que United e City costumam apresentar dentro de campo em função, claro, da obediência exemplar aos modelos de jogo de seus treinadores.

É enfadonho dizer como funciona e, igualmente prazeroso de se ver, os times de Pep Guardiola em ação. Bastou mais uma temporada a frente do Manchester City para o treinador espanhol deixar os ingleses com a cara dos catalães, que o revelaram e, ao mesmo tempo, o consagraram na história do futebol mundial.

Nada menos peculiar, José Mourinho também faz de seu United uma máquina movida à prática de um futebol mais pragmático, conservador e qualquer outro adjetivo que sintetize que, no jogo do português, a solidez defensiva é uma prioridade, mesmo com tantas estrelas na parte ofensiva, o que, muitas vezes, torna seu estilo questionável.

Foto: Wall Street Journal

Do antagonismo marcante no modo de atuação das duas equipes, não só se faz um confronto interessante, como também revelador. Afinal, sendo fiel aos seus estilos de jogo, quem se sai melhor frente ao time que, além de ser um rival local, é uma exímia antítese tática?

Como se não bastasse a guerra estratégica prestes a acontecer entre Mourinho e Guardiola, fatores históricos, como nas grandes rivalidades do futebol mundial, apimentam de vez o clássico.

Num passado não tão distante, em 2011, em Old Trafford, também palco do confronto do primeiro turno entre as equipes, o City repetiu o placar de 1926, que é também o mais elástico na história do confronto: 6 a 1

Se o United ostenta o posto de maior campeão da era moderna do campeonato inglês, é também a Premier League, da temporada 2011/12, que os Diabos Vermelhos não gostam de recordar.

Os dois clubes disputaram dramaticamente, até o último minuto, o título inglês daquela temporada, com o City tendo vencido a sua partida contra o Queens Park Rangers  nos acréscimos do segundo tempo e garantido o título, quando o United já o comemorava.

Os Citzens, por sua vez, ficam sem maiores argumentos com os rivais locais ao compararem suas conquistas.

Além de possuir 76 troféus a menos do que em relação ao United, o City amarga a falta de um título continental de um torneio ainda existente, do qual o arquirrival possui sete.

Foto: Laurence Griffiths

É bem verdade que a rivalidade de Manchester não é consolidada ao ponto de torná-la a maior do mundo. Faltam, no passado, elementos para isso. Mas é justamente a atualidade que faz deste confronto a rivalidade mais interessante do momento.

Investimentos financeiros descomunais, constelação de craques, técnicos renomados e consagrados, título de liga em jogo, avanço e, quem sabe, confronto direto na Liga dos Campeões, propostas de jogo contrárias.

Se o clássico carece de fatos no passado para ter feito do confronto uma das maiores rivalidades do mundo, sobram elementos atuais para, desde já, dar ao embate o que é mais determinante num verdadeiro choque entre rivais: equilíbrio. Em todos os sentidos.

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