por Rafael Brayan

Nesta última quarta-feira (8), vimos um dos melhores, e mais apaixonantes jogos do século. Barcelona fez 6 gols contra 1 do Paris Saint-Germain, pela UEFA Champions League, conseguindo a classificação às quartas de final da competição. Porém, uma das finais mais eletrizantes da competição envolveu um clube inglês: o Liverpool.

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Em 25 de maio de 2005, o estádio Olímpico de Istambul, na Turquia, foi o palco onde o Liverpool protagonizou uma das maiores viradas do futebol mundial, contra um Milan recheado de craques, como Kaká, Shevchenko, Seedorf, entre outros.

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Fases anteriores à final

O Liverpool começou a competição contra um time austríaco: o Grazer Ak, ainda nos playoffs. Os Reds ganharam o primeiro jogo na Áustria por 2 a 0, e depois perderam em Anfield por 1 a 0, alcançando, assim, a classificação para fase de grupos. Nela, o time de Rafa Benítez se classificou nos critérios de desempate, já que tinha a mesma pontuação que o Olimpiakos da Grécia, e o Monaco já havia se classificado como primeiro colocado no grupo.

O Milan pegou um dos grupos mais perigosos do torneio. Junto ao Barcelona, de Ronaldinho, eram os times que temiam uma zebra de Celtic-ESC e Shakhtar Donestk-UCR. Mas o time italiano conseguiu a classificação com certa facilidade, sendo o líder do grupo.

Nas fases seguintes, os dois clubes tiveram dificuldades contra grandes times do mundo. No clássico de Milão, por exemplo, o Milan derrotou a Inter por 5 a 0 no agregado das quartas de final e, depois de bater o PSV no gol qualificado na semi, conseguiu a vaga à final na Turquia. O Liverpool penou, mas, com garra, derrotou Juventus (quartas) e Chelsea (semi) para conquistar a vaga também.

Batalha em Istambul

A festa na torcida era belíssima, muito colorida, dando a todos os amantes do futebol um aperitivo do que aconteceria naquela noite. O famoso hino do Liverpool foi cantado, mostrando o apoio aos Reds. A torcida do Milan estava mais confiante, tamanha a constelação que o clube tinha em campo.

Os rossoneros chegavam como grandes favoritos pela qualidade de seus jogadores. E, logo no primeiro tempo, comprovou isso. Com um minuto de jogo, Maldini já abriu o placar após uma cobrança de falta de Pirlo – o capitão italiano pegou de primeira e venceu o goleiro do Dudek. Era o gol mais rápido da história das finais da Liga dos Campeões da UEFA: 50 segundos. O gol mexeu com o Liverpool. O time estava sem rumo e piorou quando Smicer teve que entrar no lugar de Kewell, que havia se machucado. Aos 38 minutos, Kaká, com uma das suas melhores habilidades, a velocidade, puxou um contra-ataque que terminou com o gol do argentino Crespo, e cinco minutos depois, Crespo, novamente, marcou o terceiro gol do Milan em cima do time inglês. Era um baile. Os italianos faziam a festa. E teve término o primeiro tempo dos sonhos.

Getty Images

You’ll Never Walk Alone

A frase diz: “Você nunca andará sozinho”, e foi com ela que o time do Liverpool foi empurrado pela sua torcida, como nunca havia sido apoiado antes, ainda no intervalo. A força dada àqueles jogadores parece ter invadido o vestiário do time inglês na mais apaixonada devoção a seu time.

Na volta ao campo, os jogadores do Milan estavam como estrelas prestes a dar autógrafos, com o ego cheio. Já o Liverpool vinha com sangue nos olhos, utilizando a sua torcida como trampolim para fazer história. Era praticamente impossível, mas, como disse Kaká anos depois, “foi uma coisa que só acontece na Champions League”. Aos oito minutos de jogo, o eterno capitão Steven Gerrard marcou o gol que assustaria todos e exaltaria a força da torcida vermelha, que pegou fogo quando, dois minutos depois, Smicer, que havia entrado no primeiro tempo, chutou e contou com desvio para diminuir a distância impossível contra o Milan. Quinze minutos do segundo tempo e a torcida dos Reds comemorava, vibrava e parecia não acreditar. Gerrard sofreu pênalti. Xabi Alonso pegou a bola, concentrou-se e bateu. Dida, o goleiro brasileiro especialista em penalidades, defendeu, mas o espanhol, no rebote, marcou o gol que entraria para a história do futebol mundial. Em seis minutos, o time mais fraco, com muita garra, empatava o jogo. A partida continuou sem que nenhum dos times marcasse, apesar de Shevchenko ter duas vezes a bola do jogos e ver Dudek se fez muralha para defender. Após 120 minutos estonteantes e históricos, a final foi para pênaltis.

Alan Walter

A consagração de Dudek, o imortal

O goleiro polonês Jerzy Dudek recebeu um estímulo de Jamie Carragher, zagueiro do time inglês, ao ser comparado com Bruce Grobbelaar – goleiro do time na final da Liga de 1984, vencida também nos pênaltis sobre a Roma – para defender as cobranças.

O brasileiro Serginho foi o primeiro a bater. Na trave. Hamann foi contra o espetacular goleiro brasileiro Dida e converteu. O Liverpool saía na frente na disputa. Com um gingado à la brasileira, o goleiro europeu defendeu a cobrança do ídolo italiano Andrea Pirlo. Cissé converteu para os Reds. Depois, Tomasson e Kaká fizeram para os rossoneros, e Smicer manteve os ingleses à frente, já que Riise havia desperdiçado sua cobrança.

Último pênalti. O craque ucraniano do Milan Shevchenko pegou a bola, ajeitou e bateu… E, com a defesa de Dudek, estava feita a história. O Liverpool era o campeão da competição europeia e vencedor do que foi chamado anos depois de “Milagre de Istambul”.

Nunca foi tão perceptível a importância da frase que estampa o emblema do time do Liverpool. Foi, claramente, um jogo de raça, torcida contra estrelas e nomes, em Istambul. Mas, se depender da torcida do Liverpool, o time sempre escutará: You’ll never walk alone.

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Jornalista. Assessor de Comunicação do CEPID-CeMEAI e apaixonado pelo futebol.

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