por Rafael Brayan

Jürgen Norbert Klopp nunca foi um dos jogadores mais talentosos do seu time, quem dirá do seu país. Começou a carreira no simples GV Glatten e passou por mais cinco clubes antes de chegar no Mainz 05, em 1990. No clube, ele ficou 11 anos. Teve início como atacante, mas logo recuou para zagueiro, onde acabou sendo titular na posição e adquirindo muito conhecimento posicional e tático. O defensor fez 325 jogos com a camisa vermelha e branca, e fez 52 gols.

Em 2001, o jogador encerrou sua carreira e, no mesmo ano, já iniciou sua trajetória como técnico de futebol pelo seu último clube, o Mainz 05, surpreendendo a torcida.

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O início como treinador

Disputando a 2.Bundesliga, Klopp tornou o Mainz 05 um dos times mais fortes da competição, mas não alcançou o objetivo de subir à divisão principal do país em 2002-03, sendo superado pelo Eintracht Frankfurt por apenas um gol de saldo.

Em 2004, a equipe conseguiu subir à elite, onde permaneceu até 2007. Na temporada 2005-06, o time participou da Copa da UEFA, devido ao ranking de Fair Play da entidade europeia.

Na temporada 2007-08, perto de subir novamente com o time, o alemão ficou famoso por suas coberturas em redes de televisão na Copa do Mundo de 2006 e aceitou a proposta para trabalhar no Borussia Dortmund.

“Estive 18 anos no Mainz e quando saí pensei: da próxima vez vou ter de trabalhar com menos coração. Disse isso porque todos choramos durante uma semana. A cidade organizou uma festa de despedida que durou uma semana. Para uma pessoa normal é muita emoção. Pensei que não era saudável trabalhar assim. Mas ao fim de uma semana em Dortmund tinha voltado ao mesmo. Encontrar esta situação duas vezes, ser atingido pela sorte desta forma, é muito raro”, declarou Klopp.

A ascensão

A sua chegada a Dortmund coincidiu com a reconstrução do clube, que havia passado por uma severa crise financeira. Em sua primeira temporada, Klopp levou o time ao sexto lugar da Bundesliga, que valeu a participação na Europa League da temporada seguinte.

Juntando jovens talentos, como Reus, Götze e Lewandowski, o treinador conseguiu levar o Borussia ao bicampeonato consecutivo em 2010-11 e 2011-12. Em sua terceira temporada no clube, Klopp conquistou a Bundesliga com apenas 5 derrotas e vencendo as duas partidas contra o maior rival, o Bayern. Na temporada seguinte, repetiu a dose ao se sagrar campeão com oito pontos à frente do time de Munique.

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Porém, a temporada na qual o técnico teve maior reconhecimento foi a de 2012-13. Apesar de não manterem o título nacional, eles conseguiram um vice-campeonato europeu. No grupo da morte da Champions – que tinha Manchester City, Ajax e Real Madrid – o Borussia conseguiu desbancar o milionário time de Manchester e se classificou como segundo colocado do grupo. Com o espetacular trio de Dortmund, Robert, Mario e Marco, o time foi passando de fase com facilidade e, até as semifinais, estavam invictos.

Klopp, e seus comandados surpreendem ao vencer e eliminar o time de Madrid com uma vitória por 4 a 1 no Signal Iduna Park, e seguraram a vaga no Santiago Bernabéu, mesmo perdendo. O time foi derrotado na final pelo Bayern, nos últimos minutos do jogo, com gol de Arjen Robben.

Klopp: o novo Mourinho

“Quero ser o novo Mourinho para Guardiola. Quero ser um adversário incômodo para o Bayern nos próximos anos”, disse Klopp ao diário alemão Bild.

Com a vinda do prestigiado técnico à Alemanha, Jürgen mostrou que era um excelente técnico e foi um dos maiores “pontos fracos” do ex-técnico do Bayern. Quando estavam na Alemanha, Pep o venceu quatro vezes – uma a mais que o alemão no confronto. Em sua primeira temporada na Inglaterra, o espanhol perdeu o jogo de ida da Premier League e empatou em casa domingo passado (19).

“Eu não jogo contra Pep Guardiola. Os outros times jogam uns contra os outros”, disse Klopp na primeira partida entre ambos na terra da Rainha.

“Somos uma equipe diferente, então neste momento os dois lados não podem ter certeza. Isso é o que temos de aceitar”, completou o alemão.

A chegada a Anfield

Quando Jürgen Klopp chegou ao Liverpool, afirmou, em outubro de 2015, na sua primeira entrevista, que teria de transformar céticos em crentes. E, incrivelmente, levou o Liverpool a duas finais. Mesmo não saindo como vencedor em nenhuma, acabou ganhando a confiança da torcida. O treinador conseguiu levar o time à final da Capital One da temporada 2015-16, mas acabou perdendo para o Manchester City de Pellegrini. Já na Europa League, Klopp mostrou o quanto é bom em mata-mata, e o tamanho do seu amor pelo futebol. O time conseguiu desbancar Manchester United, Tottenham e Borussia Dortmund – e o confronto com o ex-clube foi a amostra do excêntrico treinador e da raça e ousadia do time, que eliminou os alemães com vitória por 4 a 3, contando com o gol de Lovren no último minuto.

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Se o Liverpool se mostrou forte nos mata-matas na temporada 2015-16, um dos elementos principais para isso foi a sua casa. Os Reds contaram com o apoio da apaixonadíssima torcida. E, nessa temporada, a relação do time com a torcida foi bastante intensa após a chegada de Klopp – e isso ajudou muito o time a conseguir grandes vitórias. Foram 15 triunfos, 12 empates e apenas 4 derrotas.

Ele conseguiu desenvolver alguns atletas que se tornaram importantes para o time, como Emre Can, Milner, Lovren e Lallana, e também trabalhou muito com os jovens como Ojo, Woodburn, Ejaria e Alexander-Arnold.

Na atual temporada, o Liverpool conseguiu um ótimo início na Premier League, sendo até líder por um tempo. Porém, no começo de 2017, o time teve uma incrível e surpreendente decaída, perdendo para times menores e sendo até eliminado pelo Southampton pela FA Cup.

Algumas frases célebres do técnico:

“Eu tinha o talento para uma quinta divisão e a mentalidade para a Bundesliga (primeira). O resultado foi uma carreira na segunda divisão”.

Sobre Arsene Wenger, técnico do Arsenal:

“Ele gosta de ter a bola, jogar um futebol com muitos passes. É como uma orquestra, mas é uma música calma. Eu gosto de Heavy Metal”.

“Você não pode vencer sem questões táticas, mas a emoção faz muita diferença”

E a última – e que talvez resuma sua personalidade:

“Jogadores loucos me amam. Não sei por quê”.

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Jornalista. Assessor de Comunicação do CEPID-CeMEAI e apaixonado pelo futebol.

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