O Arsenal foi humilhado pelo Bayern de Munique e está praticamente fora da Liga dos Campeões nas oitavas-de-final mais uma vez. Único dos gigantes ingleses a nunca ter vencido uma competição de grande nível europeu, os Gunners chegaram perto disso na temporada 2005/06, ainda com um time cheio de resquícios dos Invencibles de 2003/04.

Arsène Wenger montou a cara do Arsenal e moldou como queria. O time que joga com a bola no chão, o futebol mais bonito da Inglaterra – sempre no primeiro semestre, depois é um time em declínio -, um time que sempre enche os torcedores de esperança, mas depois some durante a temporada e consegue uma vaga na Liga dos Campeões na terceira ou quarta colocação – mesmo que na temporada passada tenha sido vice-campeã da Premier League, o campeão foi o Leicester City, ou seja, realmente foi um ano atípico.

Invencibles, o melhor Arsenal da Era Wenger (Reuters)

O francês tinha créditos acumulados com os torcedores, muito pelo time espetacular que montou no fim da década de 90, início de 2000. Talvez o melhor time – em qualidade técnica – que já atuou na Premier League. Classe pura: Ljunberg, Pires, Bergkamp e Henry. Porém, não era um crédito infinito. Quase uma década sem títulos e, quando conquistou, uma Copa da Inglaterra. Já são 13 temporadas sem o título inglês e longe de conquistar a Europa.

O francês foi o rei de Londres por muitos anos. Enquanto os principais rivais da cidade, Tottenham e Chelsea, trocavam de treinadores de temporada em temporada, o Arsenal confiava em Wenger mesmo com temporadas abaixo do esperado – até quando a melhor coisa que acontecia no espaço de um ano era a classificação para a primeira fase da Champions League, na quarta colocação.

Porém, nas últimas três temporadas, todo aquele crédito foi sumindo principalmente pelas participações vergonhosas no torneio europeu. O Arsenal nunca foi um dos favoritos ao título da Liga desde o início, porém, já teve equipes muito competitivas, vide a da final de 2006.

Os Gunners não passam das oitavas-de-final desde a temporada 2009/10. Pode-se dizer que os sorteios não foram muito generosos também. Dos seis confrontos, foram dois contra o Barcelona e mais três – se contar a atual provável eliminação – contra o Bayern de Munique. Porém, as eliminações das temporadas 2011/12 e 2014/15 são as mais doloridas. A primeira contra  um Milan decadente. O início do fim do gigante italiano, um time sem estrelas e com muitos jovens, o caminho certo para o Arsenal passar de fase. Não, eliminação vexatória com direito a 4 a 0 sofrido em San Siro.

Mas a temporada 2014/15 foi ainda pior. Pela primeira vez um confronto contra uma equipe menos tradicional, o Mônaco. Equipe jovem e não mais injetada financeiramente, quase certeza de classificação. Primeiro jogo no Emirates Stadium e… derrota em casa com direito a três gols fora, 3 a 1 para o Mônaco. Na volta, o Arsenal ainda venceu o jogo no principado, 2 a 0, porém, inútil.

Derrota de 3 a 1 para o Chelsea, em Stamford Bridge (Getty Images)

O 5 a 1 sofrido ontem na Allianz Arena é reflexo de um trabalho que não parece mais conter ambição por parte de Wenger. Um clube com dinheiro em caixa que não consegue filtrar para fazer grandes contratações e acaba com Yaya Sanogo, Danny Welbeck, Lucas Pérez e a manutenção de um Theo Walcott no elenco, que sempre prometeu e nunca cumpriu. Um clube que economiza há mais de uma década para nunca fazer grandes investimentos e viver nas sombras dos outros gigantes. Nem na Inglaterra o Arsenal assusta mais. Sua vaga na Liga dos Campeões sempre está ali – e deve estar outra vez -, mas se há seis anos não consegue passar nem das oitavas-de-final, talvez seja o momento de parar e repensar – quase como fez o Chelsea, ficou fora de qualquer competição europeia, trouxe um treinador com uma filosofia diferente e deve ser campeão da Premier League -, talvez seja o momento de reestruturar o departamento e filtrar melhor as contratações, o momento de dizer adeus a Wenger.

Arsène fez muito, muito mesmo, mas deixou de fazer há dez anos e o tempo passou. Foi campeão com o time mais brilhante e que causa nostalgia em qualquer fã de futebol inglês que o tenha visto – qualquer mesmo -, mas passou.

Já deu, Wenger, tchau e obrigado.

 

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Estudante de Jornalismo da Universidade Estadual de Londrina. Apaixonado por futebol inglês desde os Invencibles do Arsenal em 2004. Bergkamp é o rei de Londres, Henry é o príncipe.

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