No Brasil, ao ser contratado por uma empresa, o novato normalmente tem três meses de experiência na função que passa ocupar. Pep Guardiola teve mais do que isso ao assumir o Manchester City: uma temporada completa para experimentar as mais diversas situações e cenários em disputa que só a Premier League é capaz. Em dado momento da temporada 2016/17, o treinador parecia à deriva, com uma defesa ineficaz, em parte fruto de decisões duvidosas em transferências – a começar pelo gol, com a polêmica troca de Joe Hart por Claudio Bravo, supostamente melhor com pés, mas provadamente não tão melhor com as mãos.

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A defesa não suportou o futebol agressivo proposto pelo catalão, e mesmo aumentando consideravelmente a posse de bola (o que em tese indicaria domínio das ações), não foi o bastante para conter o ímpeto adversário, com 39 gols sofridos e apenas 12 clean sheets. John Stones nem de longe justificou os £47.5 milhões investidos, e formou arrepiantes duplas com Nicolás Otamendi e até mesmo com Aleksandar Kolarov. Vincent Kompany novamente sofreu com toda sorte de lesões, e os laterais oscilaram tanto a ponto de Guardiola preferir testar Fernandinho no setor.

Pep Guardiola está otimista para a temporada 2017/18! (Foto: Divulgação/Manchester City)

A nova janela de transferências chegou e os Citizens aproveitaram o fim de contrato de uma parte considerável do elenco para reformulá-lo. Velhos conhecidos como Pablo Zabaleta foram embora, abrindo espaço para as chegadas estrondosas de Kyle Walker (£45m), Benjamin Mendy (£52m) e Danilo (£26.5m), falando apenas de laterais. Se considerarmos os valores pagos em janelas passadas por Otamendi, Stones e Eliaquim Mangala, que deve ser negociado, os Citizens tem uma defesa de linha que custou incríveis £235m somente em zagueiros e laterais. Acrescente mais £35m se levarmos em conta o goleiro brasileiro Ederson, que chega com boas temporadas pelo Benfica na bagagem para, quem sabe, resolver o problema criado com o Bravogate.

Do meio pra frente, a conversa é diferente. Com Bernardo Silva, o Manchester City passa a ter um meio assist-machine, com três criadores que vão deixar qualquer volante maluco. Se não jogarem os três (D.Silva-de Bruyne-B.Silva) juntos, Guardiola poderá pelo menos rodar o elenco com a segurança de ter pelo menos um excelente articulador em campo, com a ressalva necessária dos desfalques por lesões. A grande questão é como será recomposição defensiva com tantos meias armadores e qual será o encaixe destes com o ataque. Serão dois atacantes – Sergio Agüero e Gabriel Jesus –, ou teremos os rápidos Raheem Sterling ou Leroy Sané? Pelos testes das últimas semanas, dependerá do adversário e das condições físicas dos jogadores.

Pelo repertório, tudo leva a crer que o Manchester City dispute novamente o título, como o fez em pelo menos quatro das cinco últimas temporadas, com dois títulos (2011-12 e 2013-14) e dois vices (2012-13 e 2014-15). A prioridade número um é encontrar um sistema tático que aproveite o melhor do ataque sem prejudicar a defesa, o que incluiu testes com três zagueiros nos amistoso de pré-temporada. Outro ponto é o Etihad Stadium voltar a valer como fortaleza. Com Guardiola, o aproveitamento em casa caiu consideravelmente – 11 vitórias em 19 jogos, com incríveis 7 empates –, muito em conta de times que foram até Manchester para contra-atacar.

Com apenas dois clássicos – Liverpool (4ª rodada, casa) e Chelsea (7ª, fora) – e o badalado Everton (2ª, casa) nas primeiras dez rodadas, o Manchester City terá a razoável oportunidade de mostrar, logo de cara, a que veio.

VEM

Bernardo Silva (Mônaco, £43.6m), Ederson (Benfica, £34.9m), Kyle Walker (Tottenham, £50m), Douglas Luiz (Vasco, £10m), Danilo (Real Madrid, £26.5m), Benjamin Mendy (Mônaco, £52m), Eliaquim Mangala (Valencia, fim de empréstimo), Samir Nasri (Sevilla, fim de empréstimo) e Oleksandr Zinchenko (PSV, fim de empréstimo).

VAI

Jesús Navas (Sevilla, free-agent), Bacary Sagna (dispensado), Gael Clichy (Istanbul Basaksehir, free-agent), Pablo Zabaleta (West Ham, free-agent), Fernando (Galatasaray, £5.5m), Nolito (Sevilla, £7.9m), Joe Hart (West Ham United, empréstimo), Kelechi Iheanacho (Leicester, £25m), Douglas Luiz (Girona, empréstimo), Aleksandar Kolarov (Roma, £4.5m), Willy Caballero (Chelsea, free-agent), Enes Unal (Villarreal, £12m), Angelino (NAC Breda, empréstimo), Angus Gunn (Norwich City, empréstimo), Aaron Mooy (Huddersfield Town, £8m), Ashley Smith-Brown (Hearts of Midlothian, empréstimo), Bersant Celina (Ipswich Town, empréstimo), Rubén Sobrino (Alavés, £1.8m), Bruno Zuculini (Hellas Verona, não revelado), Oliver Ntcham (Celtic, £4m), James Horsfield (NAC Breda, não revelado), Anthony Cáceres (Al-Wasl, empréstimo), Pablo Maffeo (Girona, empréstimo), Aleix García (Girona, empréstimo), Marlos Moreno (Girona, empréstimo), Ellis Plummer (Motherwell, empréstimo), Rodney Kongolo (Doncaster Rovers, empréstimo), Pablo Marí (NAC Breda, empréstimo) e Isaac Buckley-Ricketts (Twente, empréstimo).

AMISTOSOS

  • 20/Julho: Manchester United (fora) 2-0;
  • 26/Julho: Real Madrid (fora) 1-4;
  • 29/Julho: Tottenham (fora) 0-3;
  • 04/Agosto: West Ham (fora) 0-3.

TIME-BASE

  • Ederson; Walker, Stones, Kompany, Mendy; Fernandinho; B. Silva, de Bruyne, D. Silva; Agüero, Jesus.

PALPITES

  • Thiago Ienco (PL Brasil): briga pelo título.
  • Fred Caldeira (Esporte Interativo): briga pelo título.

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