Após uma grande exibição no Mundial Sub-20 de 2011, em que o Brasil foi campeão, o meia Oscar desembarcava em Londres em junho de 2012 cercado de grande expectativa para assinar com o Chelsea. Após títulos da Premier League, Copa da Liga e Liga Europa pelos Blues, o meia surpreendeu ao se transferir para o Shanghai SIPG, da China, em 2016.

Nesta semana, Oscar bateu um papo com exclusividade ao PL Brasil, relembrando sua passagem pelo Chelsea, analisando a final do Mundial Interclubes vencida pelo Corinthians, comentando o 7 a 1 imposto pela Alemanha na Copa e apontando os favoritos ao título da Premier League.

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PL Brasil: Como foi sair do Brasil e chegar no então atual campeão da Champions League?

Sair do Brasil e ir direto para o campeão da Champions League foi uma decisão muito grande. Eu tinha outras propostas também, mas, quando a proposta do Chelsea veio e quando eu vi que o atual campeão da Champions League me queria como reforço da próxima temporada, fiquei muito feliz. Eles me trataram super bem, desde a primeira conversa até a decisão de sair. E eu tenho certeza de que tomei a decisão certa. Fiquei super feliz! Na época, eu não conseguia nem dormir direito.

PL Brasil: Como você se sentiu depois de fazer o golaço, com direito a um belo drible no Pirlo, contra a Juventus? Considera este seu melhor jogo pelo Chelsea?

Aquele jogo me marcou pelos gols. O primeiro também foi muito bonito, mas, o segundo é um dos mais bonitos do Chelsea na Champions League. Se não for o mais, acho que foi considerado um dos três gols mais bonitos do Chelsea na competição. Eu ganhei prêmio por esse gol, me marcou muito. Fazer dois gols numa estreia de Champions foi muito legal. Mas tiveram vários jogos. Na Premier League, houve muitos outros jogos importantes, na própria Champions, também. Acho que não foi o melhor jogo. Foi um jogo de estreia e que me marcou muito, mas, nós acabamos empatando. Eu joguei muito bem, mas houve mais jogos mais importantes em que não fiz dois gols, mas, joguei muito melhor.

PL Brasil: O Chelsea foi derrotado pelo Corinthians na final do Mundial Interclubes. Qual foi a sensação? Os europeus realmente não se importam tanto com o torneio?

A minha sensação foi de uma derrota muito dura, apesar de ter jogado a semifinal muito bem, de ter dado passe para gol. Queria muito jogar a final, só que na época era o (Rafa) Benitez, que fazia bastante rotação e não jogou com o time titular, mesclou os jogadores em todos os jogos. Infelizmente, eu não pude jogar a final, que eu queria muito. Eu até pedi para ele: “Deixa eu jogar. É contra o Corinthians, é time brasileiro”.

Quanto aos europeus, não é que eles não ligam. Para eles não é como se fosse contra um Arsenal, Tottenham ou contra um Manchester. Então, para nós (brasileiros) é mais importante, mas para eles (europeus) não é tanto. Mas o Corinthians deu muita sorte naquele jogo. O Cássio fechou o gol, fez grandes defesas que ninguém nem acredita até hoje, mas fiquei feliz que eles ganharam.

PL Brasil: Qual foi o jogador da Premier League que mais lhe impressionou? (Seja atuando junto ou contra)

É difícil falar de um só jogador. Acho que um jogador que passou comigo, que me impressionou muito é o Lampard, um cara que treina 100% o tempo todo. No jogo, dá o seu 100% o tempo todo, também. Eu gostei muito de ter jogado com ele, aprendi bastante. Ele me impressionou muito. Não só ele, muitos outros, mas é um exemplo de um cara que eu treinava e via todos dias.

Oscar Chelsea
Reprodução/Site Oficial Chelsea FC

PL Brasil: Quanto aos rivais, qual é o clube com o estádio mais amedrontador e difícil que você enfrentou na Premier League?

Quanto aos rivais, os clássicos contra Tottenham e contra o Arsenal são os dois clássicos mais legais de se jogar fora de casa. Mas eu sempre me dei bem, principalmente contra o Arsenal, eu sempre joguei bem. Contra o Tottenham também, fazia gol contra eles, sempre. Mas os times que eram muito difíceis de se jogar contra, fora de casa, eram o Manchester City e o Manchester United. Acho que são os dois jogos que eram muito difíceis de enfrentar fora.

PL Brasil: Ao assumir as camisas número 11 e 8, dos ídolos Didier Drogba e Frank Lampard, você sentiu mais responsabilidade ou felicidade?

Eu assumi a camisa do Drogba primeiro e a do Lampard depois. Me senti lisonjeado, e que os torcedores acreditavam muito em mim para assumir as camisas de dois dos maiores ídolos do clube. E eu sempre fiz meu papel para isso, sempre muito bem, respeitando bastante quem jogou com essas camisas. Quando joguei com a 11 do Drogba, fiz 15, 16 gols numa só temporada, sempre fiz muitos gols bonitos com a 11. Depois eu joguei com a 8 do Lampard.

O Drogba, quando voltou, veio e me pediu a 11 de volta, então aquilo foi uma coisa muito legal. Ele veio conversar comigo: “Posso pegar a 11 de volta? Você pega a 8, que é também de um grande ídolo e vai cair muito bem em você também”. Foi muito legal. Com a número 8 eu fui campeão da Premier League, joguei muito bem com ela. Gosto muito da 8 também. E foi muito marcante poder jogar com essas duas camisas que eu adoro.

PL Brasil: No Chelsea, você foi comandado por diferentes treinadores. Quais as principais diferenças nos modos de trabalho entre eles? E a relação deles com os jogadores? Como é?

Eu trabalhei com o Di Matteo, Benitez, Mourinho e o Guus Hiddink. Acho que todos têm uma relação muito boa com os jogadores. Lógico que muda um pouquinho o trabalho de um e de outro. Mas eu não tenho o que reclamar dos treinadores. Todos gostavam muito de mim e me tratavam muito bem.

PL Brasil: Como é o Abramovich? Ele acompanha com frequência o cotidiano do clube e dos jogadores ou se mantém mais distante? Ele participou da sua negociação com os blues?

Não. Ele não frequenta o dia-a-dia. Ele, bem de vez em quando, vai lá (no CT do Chelsea) e vê como estão as coisas. É o dono do clube, que ama o clube e que gosta de estar por dentro, sempre.

Quem fez a minha negociação foi a Marina (Granovskaia), que é o braço direito dele, que faz tudo por ele. Ela é a diretora do Clube, também, e faz todas as negociações. Então, ela fez tudo.

PL Brasil: Além dos brasileiros, há algum (s) companheiro (s) dos tempos de Chelsea que se tornou um amigo próximo? Se sim, qual/quais?

Além dos brasileiros tem o (Juan) Mata. Lógico que têm alguns que continuam amigos, que a gente troca contatos, mas um que se tornou muito amigo foi o Mata, mesmo ele indo para o Manchester. Sempre fomos vizinhos de porta nos apartamentos, jogávamos quase na mesma posição. Tínhamos tudo para ser meio que rivais, mas éramos muito amigos, muito mesmo. E somos até hoje e eu gosto muito do “Matinha”.

PL Brasil: Como estava o vestiário da seleção brasileira após a goleada sofrida diante da Alemanha?

Estava como todo brasileiro: ninguém conseguia falar nada. Eu, lógico, estava chorando de muita decepção. Acho que todo mundo esperava ir para a final, ser campeão. Era o que eu tinha na minha cabeça. E quando a gente perdeu, claro, ficamos muito tristes. Estava tudo muito triste.

Oscar
Getty Images

PL Brasil: Ainda no assunto seleção brasileira: muitos jogadores daquela equipe ainda são convocados. Assim como jogadores que vêm atuando ou até pouco tempo atuavam na China. Você ainda tem esperanças de voltar à seleção?

Eu, principalmente quanto estava no Chelsea, sempre vinha sendo convocado, mas depois que vim para China, acho que as coisas mudaram um pouquinho, porque eu não estou mais em tanta evidência assim, mas eu, lógico, tenho esperanças, todos têm que ter esperanças. Eu sei a qualidade do meu futebol. Tenho esperanças, sim, mas também sei que o time da seleção está jogando muito bem e o Tite já tem mais ou menos um grupo formado.

PL Brasil: Qual a maior diferença que você sentiu entre o futebol inglês e o brasileiro?

Não tem como comparar. É muito grande. É difícil comparar qualquer liga com a inglesa. Então, com a brasileira não é diferente. Existem muitas diferenças.

PL Brasil: Por que você optou por deixar a Premier League?

Pela proposta que eu tive, pela situação que estava acontecendo comigo no clube, também. Por ter começado a temporada jogando todos os jogos como titular. Os oito primeiros jogos eu joguei muito bem, depois tive um jogo da Copa da Liga que eu saí e o time perdeu e mudou. Depois ele (Antonio Conte) mudou o modo de jogar da equipe, num 3-4-3 e eu não joguei mais, não tinha uma posição para jogar, porque eu sou um meia mais ofensivo e, então, mudou muito. Por isso eu resolvi sair também, mas saí de portas abertas.

PL Brasil: Caso tenha a oportunidade, ainda que por outro clube, você voltaria à Premier League?

Sim, eu voltaria! Estou novo ainda, estou com 26 anos ainda. Quem sabe daqui a dois, três anos voltar à Premier League…. Vou ficar muito feliz. E de preferência para o Chelsea, que me abriu as portas para voltar.

PL Brasil: Um palpite: Na sua opinião, qual será o campeão inglês da temporada 17/18?

Acho que Manchester United, Manchester City e o Chelsea vão brigar até o final. Lógico que estão aparecendo mais o Manchester City e o Manchester United pelos jogos que estão fazendo, pelas goleadas que estão aplicando, mas o Chelsea é um time muito forte. O Conte monta um time para jogar como equipe, que é muito boa. É muito difícil fazer gols nos times do Conte, então, eu acho que o Chelsea vai chegar e brigar até o final, também. Acho que os três times vão brigar e vão chegar até o fim.

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Melhor do que o Futebol é falar sobre ele. A melhor invenção do homem é também o melhor papo! Redator no PL Brasil.

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