Há muito se fala que o futebol moderno é o estilo de jogo que leva em conta uma equipe em que todos os atletas possam jogar bem com a bola. A cada dia que passa, os chamados “volantões brucutus” têm perdido espaço e aberto vagas para jogadores que saibam marcar bem, com tenacidade e vigor, mas que, principalmente, possam tratar a bola com cuidado, sabendo passar bem, pensar o jogo e ditar o ritmo do time. O papel do meia defensivo (na minha concepção erroneamente chamado de volante) tem crescido dia a dia.

Separamos algumas das principais duplas de meias da PL para analisá-las de acordo com as estatísticas e números. É senso comum que números não ganham jogo, mas saber interpretá-los é fundamental para qualquer departamento de análise de rendimento dos clubes e porque não pra nós, torcedores? Há pessoas que têm com exclusivo trabalho apenas avaliar números incessantemente. Vamos para análise usando a média POR JOGO.

Hoje veremos Manchester United x Manchester City.

Herrera e Matic x Fernandinho e Yaya Touré!

Vamos nos aventurar na análise por aqui!

Herrera e Matic

Matic nos tempos de Chelsea sendo perseguido por Herrera (Reprodução/FootballWeeks)

A dupla do Manchester United ainda vai fazer sua estreia oficial. Herrera chegou como uma boa promessa, sob Van Gaal, e teve temporadas de oscilação. Na última, entretanto, ele se tornou talvez o jogador mais importante do clube. Com muita força na marcação, ótima qualidade nos passes e com boa movimentação, o espanhol agora desponta como uma estrela no elenco galático dos Red Devils.

Já Matic chegou há poucos dias. Ex-comandado de Mourinho no Chelsea campeão da temporada 14/15, o sérvio volta a ser comandado pelo português agora usando o manto vermelho. Provavelmente vem para ser titular e deixar Pogba com mais liberdade para criar, subir e chegar ao gol.

Fernandinho e Yaya Touré

Yaya Touré e Fernandinho marcando Adam Lallana (Reprodução/SkySports)

O começo da temporada foi complicada para Yaya Touré. Após uma desavença entre Guardiola e principalmente o empresário do marfinense, Touré ficou um bom tempo sem jogar, sem ao menos ser relacionado. Após uma conversa entre ambos, as coisas se resolveram e Yaya voltou a atuar pelo City, se tornando peça fundamental no esquema do treinador.

Fernandinho foi um dos grandes beneficiados com a chegada de Guardiola. Em poucos dias conquistou o treinador que via nele num jogador extraordinário. Por sempre executar bem o que é pedido, em diversos momentos da temporada foi passado para a lateral direita e fez bem a função.

Comparação

Veja abaixo a comparação entre eles

Dados fornecidos pelo Squawka

 Pegamos 9 critérios de avaliação: Total de passes; passes corretos; chances criadas; assistências; desarmes, interceptações; faltas cometidas; total de chutes; precisão dos chutes (em %).

O primeiro e mais interessante ponto a se notar é a quantidade média de passes dos jogadores por jogo. Tratamos um time mais reativo (Man U), mas que gosta de controlar o jogo no meio campo. E o outro que foi o time que mais teve a posse de bola, bem ao estilo Guardiola. Nesse ponto, mostra-se a importância de haver bons passadores de bola. Dos quatro, Yaya Touré é o jogador que mais passa a bola, com um percentual impressionante de acerto nesses passes. Matic é o ponto fora da curva. É bem menos participativo do que os outros três. Com média de 17 passes a menos do que o jogador marfinense. Deve-se levar em conta, obviamente, que o Chelsea era um time de contra ataque, portanto, são propostas de jogo muito diferentes. O jogo do Chelsea o obrigava a ser mais rápido nos passes e mesmo assim conseguiu ter um aproveitamento de 88% dos passes.

Entretanto, na questão de chances criadas, o Manchester United leva a melhor. Um dos pontos que demonstrou a evolução de Herrera está exatamente que mesmo sendo um meia que guarda mais posição e distribui o jogo atrás, ele tem bom aproveitamento em criar chances claras de gol. Com média de mais de uma chance criada por jogo, o espanhol está bem acima de Fernandinho e Yaya Touré. Matic agora em um time que tem mais a posse de bola pode crescer no aspecto. Os dois times de Manchester foram os clubes que mais perderam chances claras de gols na última temporada (50 para o United e 48 para o City). Por mais que seja assim, Matic foi o atleta dentre os quatro que mais deu assistências para gol. Foram sete do sérvio e seis de Herrera, contra uma de Fernandinho e nenhuma de Yaya Touré. Ponto interessante para o Manchester United que mesmo sendo um time menos móvel consegue liberar mais seus meias defensivos para funções ofensivas.

Como um time que preza por um bom sistema defensivo, o United leva a melhor em desarmes e interceptações. É exatamente aqui que Ander Herrera brilha. Com média de mais de dois desarmes por jogo, o jogador intercepta cerca de 2,77 bolas por partida. É aí que Yaya Touré mostra fragilidade. Com pouco mais de um desarme e menos do que uma interceptação, o marfinense mostra que tem dificuldade em marcar naquele setor do campo, devido ao jogo muito corrido e técnico. Touré está com 34 anos e parece já sentir o peso da idade quando se trata de marcação. Fernandinho é o equilíbrio com o marfinense. Com bons números de interceptações e desarmes, o brasileiro faz a função do carregador de piano mas por vezes acaba ficando sobrecarregado. O aspecto que Matic se sobressai está no número de faltas. Com menos de uma por jogo, é importante para não dar chances para o adversário jogar a bola na sua área. Matic mostra que é menos tenaz na marcação corpo a corpo, mas faz bem a função de marcar por espaços. Já Herrera e Fernandinho, os dois que mais desarmam, são, ao mesmo tempo, os dois mais faltosos.

O grande trunfo de Yaya Touré está na sua potência e precisão nos chutes a gol. Não é de hoje que se observa o poder de uma boa finalização do marfinense e, nesse aspecto, ele leva a melhor. Com média de 1,28 chutes por jogo, sua precisão passa da metade e o permite marcar importantes – e bonitos – gols. Herrera também arrisca bastante mas com menos da metade da precisão. Com apenas 23% de precisão dos chutes, o espanhol será equilibrado com Matic que chuta pouco, mas é bastante preciso quando arrisca, com os mesmo 54% de Yaya Touré.

Com meias com características diferentes, os times de Manchester mostram que tem algo bastante sólido e importante para o jogo de cada equipe, cada um à sua maneira. Não esqueçamos que quando Gündogan voltar de lesão, provavelmente assuma o lugar de Touré e poderá dar ainda mais movimentação e qualidade para esse meio campo dos citizens. Do outro lado, a chegada de Matic serve para fincar ainda mais a ideia do “ônibus” de Mourinho, que começará logo no meio campo e liberará Pogba para jogar mais a vontade.

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