Há muito se fala que o futebol moderno é o estilo de jogo que leva em conta uma equipe em que todos os atletas possam jogar bem com a bola. A cada dia que passa, os chamados “volantões brucutus” têm perdido espaço e aberto vagas para jogadores que saibam marcar bem, com tenacidade e vigor, mas que, principalmente, possam tratar a bola com cuidado, sabendo passar bem, pensar o jogo e ditar o ritmo do time. O papel do meia defensivo (na minha concepção erroneamente chamado de volante) tem crescido dia a dia.

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Separamos algumas das principais duplas de meias da PL para analisá-las de acordo com as estatísticas e números. É senso comum que números não ganham jogo, mas saber interpretá-los é fundamental para qualquer departamento de análise de rendimento dos clubes e porque não pra nós, torcedores? Há pessoas que têm com exclusivo trabalho apenas avaliar números incessantemente. Vamos para análise usando a média POR JOGO.

Hoje veremos Chelsea x Tottenham.

Kanté e Bakayoko x Wanyama e Dembelé!

Vamos nos aventurar na análise por aqui!

 

Kanté e Bakayoko

A dupla da seleção francesa no Chelsea (Reprodução/Getty)

Talvez essa seja a mais badalada dupla dessa edição da Premier League. Kanté dispensa comentários e Bakayoko chega como grande promessa após ajudar o surpreendente time do Monaco ao título francês e às semi finais da Champions League.

O atual campeão da PL contratou o jovem francês na esperança de reforçar ainda mais o seu meio campo. Vendeu Matic ao rival Manchester United e repôs à altura. Bakayoko chega provavelmente para ser titular ou o famoso reserva de luxo. Disputará vaga com Fàbregas, já que Kanté é inquestionável.

Wanyama e Dembelé

Dembelé e Wanyama em ação (Reprodução/Tony Marshall/Getty Images)

A força de Wanyama e a técnica refinadíssima de Dembelé dão ao Tottenham uma combinação peculiar de um meio campo prazeroso de assistir. Wanyama chegou aos Spurs na última temporada e pouco se imaginou o quão gigante ele seria mais uma vez sob a batuta de Pochettino.

Dembelé já vem há algum tempo como uma peça fundamental de desafogo da equipe de Londres. Ele é frio, técnico, toca bem e dribla bem. É daqueles jogadores que faz parecer tudo ser fácil. Grande responsável por ditar o ritmo do time, ele vem para mais uma temporada como titular da equipe branca.

Comparação

Veja abaixo o quadro de comparação entre eles:

Dados fornecidos pelo Squawka

Pegamos 9 critérios de avaliação: Total de passes; passes corretos; chances criadas; assistências; desarmes, interceptações; faltas cometidas; total de chutes; precisão dos chutes (em %).

Bakayoko não jogou com Kanté na última temporada, mas vamos usar seus números no francesão para ter uma ideia de como seria uma junção. Ambas as duplas na última temporada deram mais de 100 passes por jogo em média. Com Kanté como melhor jogador nesse quesito, os dois times mostram a importância de um futebol baseado no toque de bola. Estamos falando dos atuais campeões e do vice. O Chelsea tinha um estilo de jogo mais direto, que passava definitivamente por Kanté. O diferencial dele para principalmente Dembelé e Wanyama está exatamente na velocidade que o francês consegue imprimir. É impressionante notar o quão vital é a participação dos jogadores dessa posição nos dois times. O que menos toca na bola, Bakayoko, tem uma média de 41 passes por jogo, errando apenas 5 desses passes. Uma prova de que no futebol moderno, todos precisam saber jogar e tratar bem a pelota.

Curiosamente, o jogador que mais criou chances claras de gol entre os 4 é Victor Wanyama. O queniano é o que acaba participando menos da construção do jogo no meio dos Spurs, mas mostra que é agressivo quando resolve ir à frente. Sem tanto poder de passe como Dembelé, o atleta muitas vezes aparece como um elemento surpresa, seja na bola aérea ou nos chutes de longa distância. Esse último ponto se mostra exatamente quando, dentre os quatro, Wanyama é o que mais chuta a gol, com pouco mais de um chute por jogo, em média, enquanto os outros aparecem com menos de um. Já na precisão dos chutes, Bakayoko leva a melhor. Com quase 50% de aproveitamento nos disparos, o francês vem para equilibrar a falta de tentativas a gol de Kanté, que dos 4 é o que chuta menos.

Na parte defensiva, Kanté reina absoluto, como já era de se esperar. Seja nos desarmes ou em interceptações, o Chelsea ainda conta com o talento e a tenacidade do baixinho para começar jogadas pegando o adversário desprevenido. Foi assim no Leicester e foi assim no Chelsea. Kanté parece viver para roubar a bola e, com seu passe qualificado, já começa boas jogadas a partir da sua intermediária defensiva. Nos Spurs, Dembelé vai bem nos desarmes, mas tem aproveitamento menor nas interceptações. Nesse ponto existe uma consideração importante. Dembelé é o que menos comete faltas. Wanyama é o que mais comete. Como o Tottenham tem como característica propor o jogo através de passes curtos, Wanyama acaba funcionando como o último homem do meio que, nos contra ataques, por vezes precisa cometer a falta para seus adversários não darem continuidade no jogo.

O mais importante em toda essa análise é que cada dupla parece ser exatamente aquilo que o time precisa. A precisão dos desarmes de Kanté somada aos seus bons passes é exatamente o que um time que joga no contra ataque precisa. Com Bakayoko, a probabilidade é que esse número aumente, já que é mais agressivo na marcação e tem melhor passe que Matic. Distribuir funções pode fazer bem à meiuca francesa dos Blues. Já nos Spurs, um meia que toca muito bem, tem habilidade e força é fundamental para que desde a saída de bola, o time tenha qualidade e muitas opções. Dembelé funciona como um cérebro ambulante na equipe, enquanto Wanyama joga mais nos extremos, seja na contenção ou seja para atacar, quase sempre como uma surpresa.

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