Matéria originalmente publicada no The Guardian, em 12 de julho de 2017. Traduzida por Paulo de Faria

Filho e pai. A família Srivaddhanaprabha pode estar em maus lençóis (Reprodução/Press Association Images)

A companhia dona do Leicester City e que financiou a subida do clube que se tornou campeão na penúltima temporada tem sido acusada de corrupção multimilionária na operação de seus negócios na Tailândia. A King Power, de propriedade e dirigido pelo presidente da Leicester, Vichai Srivaddhanaprabha e seu filho Aiyawatt, alegadamente alterou o pagamento e saldou menos do que o combinado com o governo tailandês dos lucros obtidos na franquia Duty Free no Aeroporto de Suvarnabhumi, em Bangkok.

A King Power International, que é dona do Leicester, é acusada de criminosamente não pagar £327 milhões (algo em torno de 1.350 bilhões de reais) ao Estado tailandês pela operação da franquia do aeroporto, cuja concessão original em 2006 exigia 15% do rendimento a pagar ao governo. O processo (cópia vista pelo The Guardian) foi movido por Charnchai Issarasenarak, delegado oficial do Subcomitê Anticorrupção do Governo. Ele afirma que a King Power conspirou com empregados do aeroporto para pagar ao governo apenas 3% do recolhimentos sem impostos.

A empresa comprou o Leicester em 2010 pelo valor oficial de £39 milhões, quando o clube estava na Championship e logo emprestou cerca de £100 milhões ao clube em jogadores, salários e despesas bancárias. Tudo isso foi cancelado após o clube garantir o acesso à Premier League em 2014.

Em explicação da ação legal a repórteres da Tailândia, Charnchai afirmou: “Nós pedimos à corte que aceite o processo como processo criminal e use a lei para punir aqueles que cometem atos errados. Também pedimos que a corte considere o confisco dos 327 milhões de libras da King Power para o Estado. Ninguém deve ganhar nada desse montante anunciado. Este caso causa danos substanciais ao Estado e é uma situação muito grave”.

Outras duas companhias do grupo King Power dirigidas pela família Srivaddhanaprabha também foram acusadas de corrupção na ação legal junto com seu presidente. Quatorze oficiais que trabalham em aeroportos da Tailândia também foram indiciados no pleito. O processo alega conduta corrupta e a falha em agir com honestidade e integridade.

Vichai Srivaddhanaprabha fundou a King Power em 1989 com uma pequena loja em Bangkok e em 2006 atingiu a grandeza quando lhe foi concedida uma loja de vendas Duty Free no Aeroporto de Suvarnabhumi, considerado o 12º mais movimentado do mundo. Na época, o Primeiro Ministro tailandês era Thaksin Shinawatra, que foi tirado por um golpe militar. Os sucessores – e amargos rivais de Shinawatra – que foram donos do Manchester City entre julho de 2007 e setembro de 2008, permanecem no poder até hoje.

King Power Donwtown Complex, em Bangkok (Reprodução/King Power Official Website)

O acordo que prevê o pagamento de 15% das receitas da companhia para o Governo, validou-se quando o contrato foi assinado em 2006. O atual primeiro ministro da Tailândia, Prayuth Chan-ocha, foi nomeado com testemunha no caso por Charnchai, junto com outras 32 pessoas. Cerca de 50 documentos foram entregues à Justiça como suporte.

Charnchai ainda disse que pretende homologar mais quatro ações contra a King Power. Ele espera fazê-lo em até dois meses. A decisão da corte sobre a aceitação do primeiro processo é aguardada para o dia 25 de julho, de acordo com a imprensa local.

“Abrir um processo contra alguém não é divertido”, disse Charnchai, “porque eles podem nos processar também. Mas nós checamos a veracidade e estamos prontos para sermos processados. Não estamos fazendo isso com base em algo pessoal, mas o fazemos pela nação”.

Aiyawatt Srivaddhanaprabha, vice presidente e chefe executivo do grupo King Power, conversou com o Bangkok Post e afirmou que a companhia não quebrou nenhuma das leis desde o estabelecimento da franquia no aeroporto em 2006. Ao ser questionado pelo Guardian via Leicester City, se poderia confirmar as informações ou se queria comentar algo do caso, o clube respondeu que o filho de Vichai preferiu não se pronunciar.

O Presidente dos Aeroportos da Tailândia, Nitinai Sirisamatthakarn, também conversou com o Bangkok Post e negou as acusações. Asseverou que a King Power se firmou no contrato e pagou as taxas corretas de acordo com o espaço usado no aeroporto.

Não é claro o impacto que o caso pode ter no Leicester City se o processo for confirmado e a King Power tiver que pagar um gigante montante de dinheiro ao Estado tailandês. As regras da Premier League proíbem as pessoas de possuir mais de 30% ou serem diretores de um clube caso tenham sido condenadas por crime de desonestidade. Porém, nem Vichai, Aiyawatt nem nenhum outro diretor tailandês do Leicester foram acusados ​​pessoalmente.

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Paulistano, 25 anos, estudante de Jornalismo na FAPCOM e apaixonado pela Premier League.

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