As coisas eram muito diferentes quando o lado azul de Liverpool comemorou seu último título importante. O maior campeão inglês ainda era o Liverpool – e a diferença ainda era muito grande em comparação ao segundo colocado. A tabela da Premier League naquela temporada foi muito diferente do que se imagina atualmente. Entre os cinco primeiros colocados figuravam Blacbkburn Rovers, Nottingham Forest e Leeds United. O artilheiro daquela edição da Premier League foi Alan Shearer, e essa foi a primeira vez que o atacante conquistou a artilharia do Campeonato Inglês.

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O Chelsea era apenas um clube que frequentava constantemente o meio da tabela do campeonato, o Arsenal ainda nem conhecia Arsène Wenger. O clube de Londres melhor colocado na Premier League daquela temporada foi o Tottenham, que ficou na sétima colocação.

Os clubes de Manchester ainda viviam tempos de grande diferença. Enquanto o United frequentava a parte de cima da tabela, sendo o vice-campeão daquela temporada, o City beirava a zona de rebaixamento e terminou a liga na décima-sétima posição.

Jogadores históricos ainda eram apenas jovens: Ryan Giggs, por exemplo, tinha apenas 21 anos. Gianluiggi Buffon era goleiro da seleção italiana… Sub-17. Francesco Totti tinha apenas 18 anos, fazia sua primeira temporada na Roma e vestia a camisa 20. Thierry Henry, um dos maiores ídolos do Arsenal, tinha 17 anos e era apenas uma jovem promessa nas categorias de base do Monaco. Zinedine Zidane, eleito três vezes o melhor jogador do mundo, ídolo de clubes como Juventus e Real Madrid, atuava pelo Bordeaux, tinha apenas 22 anos e tinha, acima de tudo, cabelos.

Zidane na época de Bordeaux: ainda com cabelos (Panini)

O campeão europeu? Ajax. O último grande esquadrão do clube holandês passeou pela Europa e derrotou o Milan na final da Liga dos Campeões por 1 a 0. O artilheiro da competição foi George Weah, que ainda estava no Paris Saint-Germain e ainda não havia conquistado o prêmio de melhor jogador do mundo. O campeão da Libertadores? Grêmio. Com direito a Jardel artilheiro do torneio com 12 gols em 14 partidas.

O primeiro Playstation foi lançado naquele ano. O primeiro International Superstar Soccer, antecessor do Pro Evolution Soccer e famoso por contar com o Allejo, ainda nem havia sido lançado oficialmente para o Super Nintendo. O FIFA International Soccer, game que antecedeu o FIFA, tinha apenas um ano de lançamento para o mesmo videogame.

Um dos pioneiros dos games de futebol acabou famoso por contar com o craque Allejo

No Brasil, o campeão brasileiro do ano foi o Botafogo, o artilheiro do campeonato foi Túlio Maravilha, mas quem reinava por aqui era o Palmeiras: campeão brasileiro por dois anos consecutivos antes do Fogão.

O Brasil ainda era tetra, aliás, o título era recente.

O melhor jogador do mundo? Romário. O baixinho fazia chover pelo Barcelona, mas no ano do título do Everton já havia voltado ao Rio para vestir a camisa do Flamengo.

O Fenômeno era uma jovem promessa do Cruzeiro que acabara de sair e fazia sua primeira temporada pelo PSV. O Gaúcho era um jovem de 15 anos que frequentava as divisões de base do Grêmio. Neymar era apenas uma criança de três anos. Zico havia feito sua última temporada como profissional um ano antes do título dos Toffees. Zé Roberto fazia sua primeira temporada como profissional na lateral-esquerda da Portuguesa.

Tudo isso para dizer que o último título importante do Everton foi em 1995, com a conquista da Copa da Inglaterra.

O último título, a Copa

Foi na temporada 1994/95. O jejum de títulos do Everton já dura mais de duas décadas. São 22 anos sem nenhuma nova taça para levar até Goodison Park. Os Toffes não sabem o que é subir ao lugar mais alto e levantar um troféu há, realmente, muito tempo.

PA Images

O Everton teve uma campanha impecável na Copa, com seis jogos e seis vitórias, mas ficou na parte debaixo da tabela da Premier League, na décima-quinta colocação. Não era uma equipe memorável, mas jogou aquele mata-mata com propriedade para bater grandes oponentes como o Newcastle, o Tottenham e, na final, o Manchester United.

O time contava com nomes como o goleiro galês Southall, que tem mais de 570 jogos com a camisa dos Toffes, o atacante Rideout, herói do título como autor do gol da vitória diante do Manchester United, o atual comentarista da SkySports e ex-lateral da seleção inglesa Hinchcliffe, o capitão da equipe, Dave Watson, que encerrou a carreira com mais de 400 jogos com a camisa azul, o folclórico Amokachi, atacante nigeriano que disputou duas Copas do Mundo pela seleção de seu país, entre outros.

A caminho de Wembley

O Everton começou a caminhada rumo ao título contra o Derby County, no Goodison Park. Os Toffes sofreram mais que o necessário para vencer por 1 a 0 com gol de Andy Hinchcliffe. A segunda partida do torneio foi contra o Bristol City, desta vez, fora de casa. Mais uma vez 1 a 0, gol do zagueiro Matt Jackson.

A terceira partida do Everton naquela Copa foi o “descarrego” depois de dois resultados apertados. Contra o Norwich City, no Goodison Park, o Everton marcou 5 a 0 com gols de Anders Limpar, Joe Parkinson, Paul Rideout, Duncan Ferguson e Graham Stuart. Show e classificação para as quartas de final contra o Newcastle. Diante dos Magpies, outra vez em casa, o Everton conquistou uma difícil vitória por 1 a 0 – outra vez. Gol do capitão Dave Watson.

A partida da fase semifinal foi a grande partida da equipe na Copa. Em estádio neutro – a partida foi jogada em Elland Road, estádio do Leeds – os azuis de Liverpool impuseram um sonoro 4 a 1 no Tottenham, com direito a dois gols do atacante nigeriano Daniel Amokachi. O placar foi completado por Graham Stuart e Matt Jackson.

O sonho de Wembley chegou e, em 20 de maio de 1995, o Everton entrava em campo contra o Manchester United para conquistar aquele que seria seu último grande título.

O Everton foi a campo com: Southall; Jackson, Watson, Unsworth e Ablett; Limpar, Parkinson, Horne e Hinchcliffe; Stuart e Rideout. O treinador daquela equipe era Joe Royle.

O United foi a campo com: Schmeichel; Neville, Bruce, Pallister e Irwin; Ince, Butt, Keane e Sharpe; Hugges e McClair. Alex Ferguson era o comandante da equipe.

A partida foi a prova de que o Everton era quase um azarão diante do Manchester United. A equipe vermelha criou as principais chances da partida, mas o sistema criado por Royle para fechar a área dos Toffes foi mais que eficiente. Ainda mais que, ainda no primeiro tempo, aos 30 minutos, após contra-ataque armado por Limpar e Jackson, Stuart finalizou no travessão e, no rebote, de cabeça, Rideout marcou 1 a 0 para o Everton, aquele que seria o gol do título.

O centroavante finaliza o contra-ataque e marca para o Everton (Mirror)

Para se ter ideia da história da partida, o prêmio de Man of the Match, o melhor jogador da partida, foi entregue ao zagueiro Dave Watson. Isso comprova mais ainda a métrica daquele jogo. Um Manchester United que atacou em peso, contra uma forte defesa do Everton que segurou as pontas após Rideout brilhar com o gol do título.

Rideout comemora o gol do título do Everton (Getty)

Faz tempo, muito tempo, são exatamente 22 anos que o clube recordista em participações na primeira divisão inglesa está na fila por mais um título em sua história.

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Estudante de Jornalismo da Universidade Estadual de Londrina. Apaixonado por futebol inglês desde os Invencibles do Arsenal em 2004. Bergkamp é o rei de Londres, Henry é o príncipe.

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