Antes da aquisição do Manchester City pelos árabes da companhia aérea Etihad, que transformou os Citizens numa das equipes mais poderosas da Inglaterra, o “lado pobre” de Manchester vivia tempos de vacas magras.

A equipe tem pouquíssimas participações na Liga dos Campeões da Europa e, antes da riqueza, havia conquistado apenas dois campeonatos ingleses, um na década de 30 e outro na década de 60. O campeonato que o clube mais conquistou em sua história, inclusive, foi a Championship, segunda divisão da Inglaterra. Porém, o que poucos sabem, é que o Manchester City tem um título europeu em sua história, mas essa conquista já atravessou muitas gerações.

Na época do título do City, a seleção brasileira era apenas bicampeã do mundo. Argentina, Espanha e França não tinham nenhum título mundial. A Itália havia conquistado sua primeira Eurocopa dois anos antes disso, mas o Uruguai, três anos antes, já chegava ao seu 11º título de Copa América.

O campeão inglês daquela temporada foi o Everton que, na época, se tornara ao lado de Manchester United, Liverpool e Arsenal, o clube com o maior número de títulos ingleses. Na Espanha, o campeão foi o Atlético de Madrid e o artilheiro espanhol da temporada foi ninguém menos que Luis Aragonés, grande ídolo espanhol como jogador e treinador.

Na Alemanha, o Borussia Monchengladbach conquistava mais um título de sua história. Porém, o mais impressionante foi a média de gols de Gerd Muller naquela edição do Campeonato Alemão: 38 gols em 34 partidas e a conquista do prêmio de melhor jogador do mudo naquele ano.

Naquela temporada, o Fluminense conquistou o principal título nacional no Brasil. O clube carioca contava com nomes como Félix, Marco Antônio e Samarone.

O campeão da Liga dos Campeões daquele ano foi um clube holandês, e não foi o Ajax, nem o PSV, e sim o Feyenoord. A equipe de Roterdã conquistou seu primeiro título internacional da história.

O único título internacional do City já está para completar cinco décadas. O nome das competições naquela época eram completamente diferentes. A Liga Europa, por exemplo, era a Taça das Cidades com Feiras, que precedeu a Copa da UEFA, até que a mesma virasse a competição como é atualmente. A Liga dos Campeões se chamava Taça dos Campeões Europeus e reunia, realmente, apenas os campeões europeus de cada país.

O Campeonato Mundial de Clubes se chamava apenas Torneio Intercontinental, já que era disputado apenas pelo campeão europeu e pelo campeão sul-americano.

A conquista extinta e esquecida do Manchester City

Um dos torneios mais tradicionais da época foi exatamente o que foi vencido pelo Manchester City. Em uma época de maior equilíbrio entre as equipes e de participações mais diversificadas de países em competições da UEFA, o lado azul de Manchester pôde comemorar a extinta Recopa Europeia da temporada 1969/70.

O time do Manchester City campeão da Recopa (Getty)

A disputa da Recopa consistia na reunião dos campeões das copas nacionais de vários países europeus. No ano em que o City foi campeão, 32 clubes de 32 países diferentes participaram do torneio.

Apesar de contar com times nada tradicionais como o Sliema Wanderes, de Malta, o Magdeburd, da Alemanha Oriental, o Ards, da Irlanda do Norte, o Frem, da Dinamarca e o Goztepe, da Turquia, a Recopa contou naquela temporada com gigantes como o Schalke 04, da Alemanha, o Olympique de Marselha, da França, o Athletic Bilbao, da Espanha, a Roma, da Itália, o Olympiacos, da Grécia e o Rangers, da Escócia.

O Manchester City não contava com nomes famosos em seu elenco. Entre os nomes mais conhecidos, estavam Joe Corrigan, que participou da Eurocopa de 1980 e da Copa do Mundo de 1982 pela seleção inglesa, Colin Bell, que disputou a Eurocopa de 1968 e a Copa de 1970 também pela seleção inglesa, além do atacante Francis Lee, que disputou a mesma copa e foi o camisa 7 do English Team.

Para chegar ao título, o City passou na primeira fase pelo Athletic Bilbao com um empate por 3 a 3 na Espanha e uma vitória por 3 a 0 na Inglaterra. Nas oitavas-de-final, o adversário foi o Lierse, da Bélgica, e o City aplicou 8 a 0 no placar agregado.

Nas quartas-de-final, duas partidas contra o Acadêmica, de Portugal, e o duelo mais equilibrado até ali.  Empate por 0 a 0 fora, e vitória por 1 a 0 em casa.

A semifinal foi contra uma das grandes equipes europeias das décadas de 50 e 60, o Schalke 04. Na Alemanha, os azuis reais venceram o City por 1 a 0. Na volta, os Citizens surpreenderam e aplicaram 5 a 1.

Na final, disputada em Viena no dia 29 de abril de 1970, os Citizens derrotaram o clube polonês Górnik Zabrze por 2 a 1. Os gols foram marcados pela dupla de ataque Neil Young e Francis Lee, principal jogador da equipe.

Após o título de 1970, o City viu o lado vermelho de Manchester conquistar duas Ligas dos Campeões da Europa, uma Recopa da Europa, uma Supercopa da UEFA e dois Campeonatos Mundiais.  Faz muito tempo… Há exatos 47 anos o lado azul de Manchester está na espera pelos mais altos vôos na Europa.

2 COMMENTS

  1. Eu como torcedor do City vejo muito mais muito preconceito aqui no brasil com o City incrível, só porque o time tem dinheiro, agora falando da conquista vc que escreveu o texto como faz chacota hein, um título importante pro City e o cara tem falar que o torneio não é tão importante, claro que não né uma UCL ou uma UEL, mais pro City é sim um TÍTULO EUROPEU….

  2. O que seria do Man. United, do Liverpool, do Chelsea, Arsenal, do Tottenham e do próprio City se não fosse os Milhões de Libras que são descarregados nos cofres dos times todas as temporadas? A PL precisa de mais times como o Leicester pra fazerem excelentes temporadas e surpreenderem.
    O lado bom da PL é que os campeões mudam de uma temporada pra outra, diferente da Bundesliga que só o Bayern vence, da serie A que só a Juve vence, da La Liga que só Real e Barça vencem e do francês que só PSG e agora Mônaco.

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