Um jogo emocionante e cheio de gols: esse foi o clássico entre Liverpool e Arsenal em Anfield Road.

O empate em 3 a 3 mantém os Gunners na ponta da Premier League, mas tem um pouco de sabor de derrota, já que o time de Wenger virou o jogo no segundo tempo e teve o resultado nas mãos. No coração, os Reds buscaram o empate no finalzinho.

A emoção, contudo, não apaga as falhas: enquanto não tiver um sistema defensivo no mínimo decente, o Liverpool vai sofrer na temporada. Se já foi difícil aguentar os ataques de Watford e West Ham, contra o Arsenal a tragédia só não foi maior porque o ataque dos Reds estava mais inspirado que nas outras partidas. O Arsenal jogou bem, continua líder e é o grande favorito ao título da Premier League, mostrando que pode, finalmente, acabar com o rótulo de time perdedor que a equipe de Wenger recebeu na última década. Mas deixou escapar o resultado quando vencia um adversário abatido por 3 a 2.

Com o empate, o Liverpool vai a 31 pontos e cai para a nona posição. Os Reds enfrentam o Manchester United em casa na próxima rodada. Já o líder Arsenal chega a 43 pontos e tem pela frente o Stoke City, fora de casa.

O jogo mais esperado da rodada começou muito empolgante. Roberto Firmino, que não marcava desde a goleada sobre o Manchester City no primeiro turno, pôs fim à seca logo aos 10 minutos de jogo. Can chutou de fora da área, Cech espalmou e o brasileiro, referência no 4-3-3 de Jürgen Klopp, arrematou para as redes do Arsenal.

Não demorou muito e os Gunners chegaram ao empate. Sakho dividiu com Campbell e perdeu. Na sequência da jogada, Sakho completou a falha dupla e não acompanhou Ramsey, que bateu forte, no canto esquerdo de Mignolet. O empate do Arsenal saiu pouco mais de três minutos após o gol do Liverpool.

Sem deixar tempo para ninguém respirar, o Liverpool voltou ao ataque. Aos 18 minutos, Firmino recebeu na entrada da área e achou um chute sensacional, no ângulo esquerdo, sem chance alguma para que Petr Cech alcançasse a bola: 2 a 1 para os Reds – vantagem que, de novo, durou pouco. Mais uma vez, o empate do Arsenal foi quase instantâneo: aos 26, Giroud desviou cobrança de escanteio no primeiro pau e decretou nova igualdade.

O que aconteceu? Por que esse começo de jogo tão intenso em Anfield? O Liverpool conseguiu acertar o meio campo. Isso é fundamental, e nos poucos jogos em que isso aconteceu na temporada até aqui, o desempenho do time foi bom.

Milner fez uma das melhores partidas desde que chegou aos Reds, e Can confirmava o bom momento com ótima atuação. A bola chegava com qualidade ao ataque e encontrava Firmino em noite inspirada.

Contudo, a defesa segue um setor preocupante para os Reds. O bem armado time do Arsenal não encontrava dificuldade alguma para entrar na zaga. Touré está anos-luz distante de ser o zagueiro que foi no passado e Sakho cada vez mais mostra que não tem condições de jogar no Liverpool. A escalação de Alberto Moreno, mesmo com o bom desempenho ofensivo do espanhol, pode começar a ser questionada.

Com esse sistema defensivo vulnerável, Klopp deveria se preocupar com a avenida deixada por Moreno lá atrás. O lado esquerdo da defesa dos Reds não oferece resistência alguma aos ataques adversários.

Se contra times mais fracos o péssimo desempenho da zaga já dificultou e muito a vida do Liverpool, contra o Arsenal, time extremamente eficiente no ataque, não seria diferente. Mesmo com o setor ofensivo inspirado, os donos da casa não conseguiam oferecer resistência alguma às envolventes investidas dos Gunners: Campbell, Ramsey, Giroud e Özil faziam o que queriam com a defesa do Liverpool.

Campbell, aliás, fez bom primeiro tempo. Um belo passe no primeiro gol e várias jogadas bem armadas pelo destaque da seleção da Costa Rica. Ramsey e Özil, com ótima movimentação, infernizaram o tempo todo os adversários: cada subida do Arsnenal ao ataque era um perigo imenso aos Reds.

O ímpeto inicial do Liverpool diminuía conforme o tempo passava. O Arsenal conseguiu vencer a pressão dos donos da casa, adiantar a marcação e tomar conta do meio de campo. Mais presente no campo de ataque, o time de Wenger trabalhava a bola buscando o gol da virada. Ainda assim, com passes precisos e jogadas de velocidade, o Liverpool ameaçava o gol de Cech. Aos 46 minutos, Firmino recebeu na área, dominou e bateu.

A bola triscou a trave e saiu. Foi a última chance do primeiro tempo. Um primeiro tempo que teve um Roberto Firmino que até então não se havia visto com a camisa do Liverpool.

Só no primeiro tempo, Firmino fez dois gols e mandou uma na trave (Foto: John Powell/Liverpool FC via Getty)

No segundo tempo, o jogo continuou movimentado. Logo no começo, Moreno perdeu uma chance incrível de colocar o Liverpool à frente. Erro fatal, pois aos 9 minutos Giroud girou em cima do imóvel Touré e fez um belo gol. Touré, coitado, já não é mais o grande zagueiro que foi e não conseguiu oferecer a mínima resistência ao francês.

O Liverpool sentiu o golpe. O jogo dos Reds parou de encaixar e o time de Klopp só reacendeu na partida quando o treinador alemão colocou Benteke no lugar de James Milner. O belga povoou a área ofensiva e passou a servir como referência no ataque. Em contrapartida, a já frágil defesa dos Reds ficava ainda mais exposta – Wenger viu e colocou os velozes Gibbs e Oxlade-Chamberlain para puxar contra-ataques perigosos. Era o risco que Klopp precisava correr se quisesse evitar uma derrota em casa.

E o risco valeu a pena: aos 45 do segundo tempo, Benteke escorou bola levantada na área e Allen, que havia entrado no lugar de Milner, empatou o jogo, para a festa e o delírio dos torcedores em Anfield Road. Final de jogo: 3 a 3, uma excepcional partida na cidade de Liverpool, e empate que, no fim das contas, ficou justo pelo bom desempenho ofensivo das equipes.

Giroud comemora o terceiro gol dos Gunners (Foto: Action Images via Reuters/ Carl Recine)

LIVERPOOL 3×3 ARSENAL
Premier League –  22ª Rodada (13/01/2016)
17h45 Anfield Road
Árbitro: Mike Jones
Liverpool: Mignolet; Clyne, Touré, Sakho, Moreno; Can (Allen), Henderson, Milner (Benteke); Ibe, Lallana (Caulker), Firmino  / Técnico: Jürgen Klopp
Arsenal: Cech; Bellerin, Mertesacker, Koscielny, Monreal; Ramsey, Flamini; Campbell (Oxlade-Chamberlain), Ozil (Arteta), Walcott (Gibbs); Giroud. / Técnico: Arsène Wenger
Gols: Firmino (2) e Allen – Liverpool; Ramsey e Giroud (2) – Arsenal

Mignolet; Clyne, Toure, Sakho, Moreno; Henderson, Can, Milner; Ibe, Firmino, Lallana
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