por Rafael Brayan

A década de 1960 no futebol inglês foi marcada por três jogadores. Bobby Charlton, George Best e Denis Law formavam a United Trinity, que, em 293 jogos, marcou 365 gols com a camisa vermelha de Manchester. Nascido no dia 11 de outubro de 1937, em Ashington, cidade inglesa famosa por suas minas de carvão, Robert Charlton tinha uma família de históricos futebolistas. Com tios jogadores, Bobby sempre foi apaixonado por futebol e, aos 15 anos, foi descoberto por Joe Armstrong, olheiro do Manchester United.

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Começo em Manchester

No mês de seu aniversário de 17 anos, Bobby se tornou profissional do “Busby Babies“ (Bebês de Busby), time treinado por Matt Busby que tinha uma média de idade de 22 anos. Logo na estreia, o menino de 1,73m marcou dois gols e já formou uma dupla com Tommy Taylor. Em três temporadas, foi bicampeão do Campeonato Inglês e chegou com o time até as semifinais da Copa dos Campeões da UEFA, caindo frente à força dominante do continente, o Real Madrid de Alfredo di Stéfano.

Don Morley/Allsport

Fim dos “Busby Babies”

Em fevereiro de 1958, uma das maiores tragédias envolvendo um time de futebol aconteceu. Voltando de uma partida na Iugoslávia, onde havia eliminado o Estrela Vermelha na Copa dos Campeões, o avião que levava o Manchester United fez escala em Munique, na Alemanha. Após três tentativas, o avião conseguiu decolar, mas logo depois a aeronave desabou, antes mesmo de sair da cerca do aeroporto. Das 44 pessoas a bordo, 23 morreram. Oito jogadores do Manchester United estavam entre os mortos e outros nove conseguiram sobreviver – entre eles, Bobby Charlton.

“Estávamos para deixar o hospital quando eu perguntei para uma enfermeira onde poderíamos ir para ver o resto dos garotos. Ela pareceu confusa então eu perguntei novamente: “Aonde está o resto dos sobreviventes?” “Outros? Não tem outros, estão todos aqui.” Foi só aí que soubemos do horror de Munique. Os Busby Babes não existiam mais”. – Harry Gregg, ex-jogador e sobrevivente do desastre aéreo de Munique, em depoimento colhido pelo Manchester United Brasil.

A reconstrução em Manchester

Melhor jogador da reconstrução do time inglês, Bobby decidiu continuar jogando em Old Trafford, apelidado por ele de “Teatro dos Sonhos”. Nos quinze anos seguintes, foi importantíssimo, principalmente no título da FA Cup de 1963. Àquela altura, o Manchester já contava com outros dois grandes jogadores que fariam um trio com Charlton, sendo apelidado de “Santíssima Trindade”: Denis Law e George Best.

Na temporada 64-65, o time se consagrou campeão inglês e da supercopa da Inglaterra, com grandes aparições do trio Law, Best e Bobby, e acabou ganhando uma vaga para a Copa dos Campeões da UEFA na temporada seguinte. Na competição europeia, o Manchester eliminou o Benfica de Eusébio, mas acabou, novamente, caindo na semifinal do torneio para o Partizan, da Iugoslávia.

A ascensão de Bobby Charlton

Na Copa do Mundo da Inglaterra em 1966, Charlton tinindo, com grandes jogadores ao seu lado, como Banks, Bobby Moore e Jack Charlton, seu irmão – todos comandados por Alf Ramsey. No primeiro jogo, apenas empate perante o Uruguai. Na segunda partida, uma vitória por 2 a 0 contra o México com o primeiro gol de Bobby. Na semifinal, páreo duríssimo e revanche: a seleção de Portugal do mítico atacante Eusébio, que perdera para Bobby no duelo de clubes. O inglês saiu vitorioso novamente, marcando dois gols na vitória contra apenas um de Portugal, marcado pelo Pantera Negra. Na final, a Inglaterra pegava seu maior desafio: vencer a Alemanha de Beckenbauer.

O alemão foi uma pedra na chuteira de Charlton. O alemão e o inglês ficavam se anulando e não fizeram uma boa partida. Mas, para a alegria dos ingleses, o atacante Hurst estava muito bem, marcando três dos quatro gols do 4 a 2, sendo que estava 2 a 2 no tempo normal. O terceiro gol foi um dos lances mais polêmicos da história das Copas do Mundo. Hurst finaliza, a bola bate na trave, pinga, e cria-se a dúvida se há o gol ou não.

O juiz opta por validar o gol inglês. Tempos depois descobre-se que a bola não cruzou a linha. Final de jogo, o país-sede se consagra o campeão do torneio. A torcida invade o gramado ensandecida de felicidade. Isso era para coroar um ano mágico de Bobby Charlton, que terminara o ano recebendo o troféu “Bola de Ouro” da revista “France Football”.

Enfim, o título europeu

Após cair duas vezes na semifinal, o Manchester United conquistou a Copa dos Campeões da UEFA de 67-68, dez anos após o desastre em Munique. O título veio em cima do Benfica, no estádio de Wembley, com mais de 90 mil pessoas. Bobby marca, mas o Benfica consegue o empate. Na prorrogação, o time inglês domina em 10 minutos e marca três gols. Vitória por 4 a 1. Era a primeira vez que um time inglês ganhava a taça.

O craque inglês ainda tem números impressionantes: É o segundo maior artilheiro da seleção inglesa, com 49 gols, contra 53 de Wayne Rooney e é o segundo maior artilheiro do Manchester United, com 249 gols, contra 250 de Rooney. Robert Charlton reside no coração de todos os amantes por futebol. Um grandíssimo jogador que superou a perda de amigos, o trauma, e, no final, traz alegria a todos ingleses e torcedores dos Red Devils. O Teatro dos Sonhos sempre será a casa de Bobby Charlton.

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Jornalista. Assessor de Comunicação do CEPID-CeMEAI e apaixonado pelo futebol.

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