Treinador novo, novos jogadores, elenco renovado. Sem competições europeias para disputar, o Chelsea desviou o foco totalmente para a disputa do campeonato inglês.

Antonio Conte, que só possuía trabalhos no futebol italiano, chegou como uma incógnita e, de início, não arriscou em sua formação tática, fez o simples: linha de quatro defensores. Mas o time não evoluiu e os resultados não apareceram.

Desde a época de Juventus, Conte utilizava uma formação praticamente aposentada do futebol há alguns anos, o 3-4-3. Numa época em que as equipes vem abdicando dos defensores – vide Pep Guardiola e seu Bayern de Munique sem zagueiros da temporada passada e o Manchester City do início da temporada atual -, Conte decide modificar o esquema do Chelsea e surpreende: utiliza o seu 3-4-3 no futebol inglês.

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Com a nova formação, peças novas aparecem na equipe e alguns atletas modificam suas posições. São três zagueiros, dois volantes e dois alas. Defensivo? Não é bem assim. Realmente, a equipe tem a segunda melhor defesa do campeonato, mas também possui o terceiro melhor ataque. Azpilicueta, lateral-direito de origem e lateral-esquerdo no Chelsea por opção dos treinadores, ganhou nova função: passou a formar a defesa ao lado de Cahill, um dos poucos remanescentes da primeira equipe, e do contestado David Luiz, que retornou do PSG.

Na ala-direita, um espaço vago, assim como na ala-esquerda. E são aí que aparecem as principais surpresas do Chelsea na temporada: Victor Moses e Marcos Alonso.

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A torcida do Chelsea tinha certo receio ao ouvir o nome de Moses no Stamford Bridge, alguns outros sentiam arrepio. Contratado pelo clube londrino em agosto de 2012 vindo do Wigan por 6,5 milhões de euros, o nigeriano chegou para compor o elenco da equipe que disputaria o Mundial de Clubes daquele ano. Foi titular logo que chegou, mas jamais se firmou. Após uma temporada, foi emprestado para o Liverpool e não voltou mais ao Chelsea. Foi reemprestado por mais uma temporada ao Stoke e em outra temporada ao West Ham, até voltar aos Blues.

Antonio Conte decidiu não negociar o winger e passou a utilizá-lo em algumas partidas. Com a mudança de formação e o espaço vago, o treinador italiano enxergou nele a peça-chave para a posição de ala. Moses jamais tinha feito a função, porém, caiu como uma luva na linha de quatro meio-campistas e vem fazendo sua temporada mais regular desde que foi contratado pelo Chelsea.

Nem o maior admirador do futebol de Moses esperava o nigeriano conquistando a posição de titular na equipe logo no início da temporada 2016/17 tendo nomes como William e Fábregas no banco, por exemplo. São 22 partidas na temporada contando todas as competições. Quatro gols e uma assistência.

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O outro lado da linha de quatro de Conte deixava dúvidas. Recurar Hazard? Utilizar Pedro por ali? O lateral-esquerdo era Azpilicueta, mas o técnico italiano já havia adiantado que o usaria na zaga. Seu reserva imediato era Marcos Alonso, lateral espanhol com passagem ruim pelo Sunderland em 2013/14, mas que foi contratado devido ao bom desempenho na temporada 2015/16 pela Fiorentina.

Alonso foi revelado pelo Real Madrid na temporada 2009/10 e, antes da Fiorentina, nunca se firmou num clube. Nem no próprio Real Madrid, no Bolton ou no Sunderland. Foi para o Chelsea exatamente por pedido de Conte, que já o desejava desde a época em que treinou a Juventus. O treinador decidiu apostar no lateral, já que o havia indicado e o espaço estava vago. Deu certo.

A temporada de Marcos Alonso é surpreendente. São 17 partidas, três gols, duas assistências e a confiança da torcida. O ápice de sua temporada veio no último dia 14 de janeiro. Atuando fora de casa contra o atual campeão inglês, Leicester City, Alonso anotou dois gols na vitória por 3 a 0 e garantiu, além da vitória dos Blues, a manutenção dos sete pontos de diferença para o Tottenham, segundo colocado da Premier League.

Conte já provou que consegue controlar a equipe sem precisar de estrelas. Alonso e Moses chegaram – ou voltaram – como renegados e hoje são dois dos responsáveis pela excelente temporada do clube e pela sobra do Chelsea em relação aos adversários no Campeonato Inglês.

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Estudante de Jornalismo da Universidade Estadual de Londrina. Apaixonado por futebol inglês desde os Invencibles do Arsenal em 2004. Bergkamp é o rei de Londres, Henry é o príncipe.

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