Nas rodas de discussão sobre o melhor time que já ganhou o título da Premier League, os Invincibles, certamente serão lembrados. Até hoje, o Arsenal é o único clube que conquistou o troféu de forma invicta, sem saber o que é derrota durante 38 longas rodadas.

Das cinco principais ligas europeias, só o Milan (1991/1992), a Juventus (2011/2012), o Ajax (1994/1995), o Benfica (1972/1973) e o Porto (2010/2011 e 2012/2013) conseguiram o feito em edições com 30 ou mais rodadas, além, obviamente, do Arsenal. O outro campeão inglês invicto foi o Preston North End na longínqua temporada de 1888/1889, logo muito antes da era Premier League, quando venceu 18 e empatou quatro jogos para levantar o troféu.

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Janela de transferências pouco agitada

Engana-se quem acha que o Arsenal foi atrás de grandes reforços antes do começo da temporada 2003/2004. Devido ao custeio do oneroso Emirates Stadium, o clube não pode arcar com grandes quantias de dinheiro na hora de contratar, mas isso não quer dizer que tenha contratado mal.

Depois de ter perdido o título na temporada anterior para o Manchester United, os Gunners se reforçaram com o goleiro alemão Jens Lehmann por apenas 1,5 milhões de libras e, na janela de inverno europeu, com o espanhol José Antonio Reyes. A diretoria soube renovar contratos com Patrick Vieira e Robert Pirès, peças-chave do clube, e manteve a espinha dorsal da equipe.

Começo otimista e atropelo no segundo turno

Na disputa da Community Shield, torneio que abre a temporada, o Arsenal viu o Manchester United levar a melhor nos pênaltis e conquistar o troféu. Mas isso não abalou a mentalidade dos Gunners, que começaram a Premier League com vitórias. Apesar do bom momento, a equipe encerrou o primeiro turno na segunda posição, um ponto atrás do Manchester United e com o Chelsea logo na cola. A partida que marcou o primeiro turno, definitivamente, foi o duelo contra os Red Devils.

Em um jogo muito disputado até o final, o último capítulo do confronto foi recheado de tensão. Em uma disputa pelo alto, van Nistelrooy caiu por cima de Patrick Vieira, que se levantou e tentou dar um chute no adversário. O francês foi expulso após o segundo cartão amarelo, o que gerou muita discussão em campo. Já nos minutos finais de partida, em um pênalti polêmico, Nistelrooy desperdiçou a cobrança mandando a bola na trave, e vários jogadores do Arsenal foram provocar o holandês – Lauren chegou a empurrar o atacante – e criticá-lo por supostamente ter cavado a expulsão de Vieira. O resultado final deste jogo tenso, que teve seis jogadores do Arsenal e dois do United punidos pela Federação Inglesa por mau comportamento, terminou em 0 a 0.

Na segunda parte do campeonato, a equipe começou empatando com o Everton, mas logo emendou nove vitórias seguidas e assumiu o topo de forma definitiva. A consistência nas partidas seguintes fez com que os Gunners conquistassem o título invicto da Premier League contra o Tottenham, maior rival, após um 2 a 2 em pleno White Hart Lane.

Ficou no quase na outras competições

Após liderar seu grupo na Champions League e, em pleno Giuseppe Meazza, massacrar a Inter de Milão por 5 a 1, em grande atuação coletiva, o Arsenal eliminou o Celta de Vigo na oitavas, mas acabou se despedindo da competição nos confrontos contra o Chelsea, após um gol de Wayne Bridge nos minutos finais da segunda partida.

Na Copa da Inglaterra, bateu Leeds, Middlesbrough, Chelsea e Portsmouth, mas acabou derrotado pelo Manchester United por 1 a 0 na semifinal. Já na Copa da Liga Inglesa, eliminou Rotheram United, Wolverhampton e West Brom, até ser despachado Middlesbrough na semifinal.

Poderíamos ter conquistado a Champions League naquele ano. Três dias antes de enfrentar o Chelsea pela UCL, nós tivemos que jogar contra o Manchester United pela Copa da Inglaterra. Eu não queria sacrificar a Copa da Inglaterra então coloquei a campo um time que eu achava que poderia derrotar o United. E, naquele dia, eles foram melhores que nós. Reyes se contundiu, perdemos alguns jogadores e a nossa “força mental”.

Três dias depois perdemos para o Chelsea nos minutos finais do jogo pela Champions League. Eu penso que cometi um erro naquela temporada, de não ter sacrificado o jogo pela Copa da Inglaterra. Muitas vezes as partidas importantes pela Champions League entram em conflito com as da Copa da Inglaterra. Aí você tem que parar e pensar ‘o que eu faço?’. Aquela temporada, nós poderíamos ter vencido tudo. Eu tentei. Nós tínhamos o elenco para isso” –

ARSÈNE WENGER.

Estilo de jogo encantava

Arsenal Invincbles

Entre o 4-4-2 em duas linhas e a sutil mudança para o 4-2-3-1 com o recuo de Bergkamp como ’10’, o Arsenal desmontava fortes defesas com uma transição defesa-ataque dinâmica, vertical e facilmente apreciável a qualquer apaixonado por futebol. O estilo de jogo envolvente e agressivo com a bola fez de Arsène Wenger ser considerado um dos melhores treinadores do mundo naquele momento.

A segurança de Lehmann no gol, a vitalidade dos laterais Lauren e Ashley Cole, a força física imponente do zagueiros Sol Campbell e Kolo Touré, o trabalho duro de Gilberto Silva, a qualidade inigualável de Vieira, a maestria de Pirès, a competência de Ljunberg, a genialidade de Bergkamp e a ferocidade de Thierry Henry tornaram os Gunners um time ‘cascudo’, vencedor e encantador. Além do empolgante time titular, Wenger contava com boas opções no banco de reservas como Kanu, Wiltord, Edu, Parlour e Reyes.

Foram 26 vitórias e 12 empates dos Invincibles, com a marca impressionante de onze pontos à frente do vice-colocado, encerrando sua campanha com o melhor ataque e a melhor defesa do campeonato. Na briga entre os times do topo, venceu os dois confrontos contra Liverpool e Chelsea, mas ficou em dois empates com o Manchester United, tanto dentro como fora de casa.

O auge de um monstro

Arsenal Henry invincibles

Foram 30 gols em 37 jogos, o que já é uma marca incrível para qualquer atacante. Mas Henry não tratou a tarefa de balançar as redes como uma mera função de sua profissão tendo transformado isso em uma arte a ser apreciada. Dribles e ousadia também faziam parte do seu cardápio a cada rodada.

Seu casamento com Bergkamp foi perfeito: a parceria reunia atacantes de diferentes características, mas com “QI futebolístico” muito acima da média. Pelo altíssimo nível de atuações, Henry estará sempre presente na discussão sobre os maiores jogadores da era Premier League.

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