Gerrard fez seu retorno triunfal a Kirkby em fevereiro, e depois de impressionar em um papel geral na academia do clube, assumiu o cargo de Neil Critchley como técnico do Liverpool sub-18.

Mas como o lendário ex-capitão se encontra, e o que sua primeira meia temporada como treinador sugere sobre sua carreira à frente?

Aqui, examinamos a abordagem de Gerrard, as performances de seus principais jogadores e o que se pode esperar no futuro.

Abordagem e táticas

Atendendo ao seu estilo como jogador, Gerrard chegou com uma abordagem despojada, procurando executar a regra em seu time antes de fazer grandes mudanças.

Ele deu uma visão reveladora de suas ideias como treinador falando à BT Sport em abril, dizendo que para tornar-se um jogador do elenco principal “você precisa estar obcecado”.

“Eu amo o talento e adoro ver isso, mas na academia do Liverpool o importante é que eles precisam entender o outro lado do jogo. Combater, vencer, enfrentar. Indo onde dói, deixando seus pulmões queimarem, realmente indo profundamente”, explicou.

Gerrard vem fazendo um excelente trabalho no Liverpool sub-18. (Foto: This is Anfield)

Quando ele pegou as rédeas em Kirkby, começou com o básico, alternando entre um 4-4-2 diamante e um 4-2-3-1. Mas, na ausência das opções pelo lado direito – Neco Williams, Jordan Hunter e o capitão Liam Coyle – Gerrard mudou para um 3-4-3, o que provocou uma excelente performance.

Então geralmente se viu uma defesa formada com os jovens Anthony Driscoll-Glennon, Tom Clayton e o impressionante Rhys Williams; com Adam Lewis e Rafa Camacho como seus alas bem-sucedidos.

As formações de comutação permitiram a Gerrard manter uma base sólida, com a energia de Edvard Tagseth e a compostura de Elijah Dixon-Bonner, fornecendo uma plataforma muito boa no meio-campo.

E o uso de alas tem feito com que os jovens Reds melhorem a fluidez no terço final do campo, com Curtis Jones brilhando em um papel ofensivo pelos lados do campo e Liam Millar, em particular, prosperando no comando central do ataque.

Não se trata apenas de depender de seus melhores jogadores em campo, Gerrard mostrou uma tática e técnica refinada em sua primeira meia temporada também.

Isso foi mais notável com o Liverpool sub-19 na UEFA Champions League Youth, da qual ele reconheceu em setembro, dizendo: “Você joga contra diferentes táticas, diferentes formações – um estilo diferente”.

Um exemplo claro disso veio na vitória por 4 a 1 em outubro sobre o Maribor. Gerrard impôs uma linha defensiva alta para combater a abordagem de bola eslovena.

E isso foi novamente mostrado no triunfo de 4 a 0 em novembro contra o Sevilla, quando o Liverpool começou com um jogo de alta intensidade antes de controlar a partida e derrubar um oponente emocionalmente abalado.

Os garotos do Liverpool têm tido um entrosamento fantástico sob o comando de Gerrard. Foto: This is Anfield)

A nomeação de um treinador juvenil da reputação de Gerrard foi uma jogada ousada dos Reds, arriscando ter no vestiário um nome de peso, enquanto sua falta de experiência poderia ter se provado um problema.

Mas com o apoio do ex-treinador da categoria, Neil Critchley, essas preocupações foram rapidamente dissipadas. O impacto de Gerrard nas performances do Liverpool sub-18 é claro em sua excelente gestão humana.

Jogadores-chave

Gerrard teve a sorte de assumir um grupo muito talentoso e de novo visual, com as perspectivas da academia do Liverpool crescendo nos últimos anos.

A jóia de seu time, sem dúvida, é Curtis Jones, de 16 anos. Ele tem uma presença imprevisível no terço final do campo, com sua habilidade, criatividade e foco para a conclusão final.

Jones já marcou 13 gols e ajudou em mais seis tentos em 20 aparições para o sub-18 e sub-19 nesta temporada, apesar de não atuar como um atacante central.

Curtis Jones, de apenas 16 anos, é a principal referência do Liverpool sub-18. (Foto: This is Anfield)

Gerrard admitiu que “este time está construído ao seu redor”, explicando como “é importante que ele consiga a bola tanto quanto ele pode, porque ele nos faz jogar”.

Quem Fornece a Jones a estabilidade para se expressar é o meio-campista norueguês Tagseth, cuja mistura de energia e dinamismo inteligente o tornaram um jogador integral para Gerrard.

“Eddie faz exatamente o que é necessário. Ele é um daqueles jogadores diferenciados. Eu amo tê-lo, amo treiná-lo, e ele tem um grande futuro”, afirmou Gerrard.

O jovem norueguês Tagseth é o cérebro do time. (Foto: This is Anfield)

E, na ausência do capitão Coyle, a disposição de Lewis em liderar é extremamente louvável, especialmente quando Gerrard confia nele em um novo papel como lateral-esquerdo.

Embora a agressividade de Lewis possa prejudicá-lo às vezes, como no empate em 2 a 2 com o Manchester United em dezembro, no qual ele foi expulso por duas ofensas reserváveis, ele é um talento inestimável.

“Se Adam pode manter essa consistência, não acho que ele vai estar permanecer neste time por mais tempo”, disse Gerrard no mês passado, sugerindo que um passo do jogador para o sub-23 está em análise.

“Avançando, não vi ninguém tão bom quanto ele naquela idade, em termos de qualidade e o que ele pode entregar ofensivamente”, concluiu o técnico sobre a jovem promessa.

Por fim, as performances de Williams no coração do esquema de três zagueiros de Gerrard, tanto na defesa quanto na capacidade de iniciar as jogadas do time, sugerem uma possível formação para o primeiro time nos próximos anos.

E no centroavante Millar, Gerrard está desenvolvendo um goleador de primeira classe, com o canadense rapidamente se adequando aos requisitos adicionais de trabalhar sob um novo treinador exigente.

Millar começou a temporada como um jogador de meio tempo, entrando e saindo dos jogos, mas seis meses depois ele é um atacante letal, com 13 gols em 19 partidas.

Gerrard está rapidamente comprovando sua habilidade para ambos os desafios: desenvolver seu time para brilhar à nivel de juventude e se preparar para os desafios futuros.

Mas qual poderá ser o próximo desafio para Gerrard se ele continuar seu bom trabalho com os garotos do Liverpool nesta temporada?

O futuro

Antes de retornar ao Liverpool, Gerrard já havia recusado a oportunidade de assumir o cargo na equipe principal do MK Dons.

“Ele poderia ter entrado em muitas funções na equipe principal, mas ele sentiu que queria ir buscar a grama e arrumar as botas”, explicou Critchley, se referindo à vontade de Steven em buscar o seu espaço e aprender antes das oportunidades no primeiro time.

“O fato dele estar trabalhando no sub-18 [mostra] que ele quer passar longe do radar, o que é muito difícil quando você se chama Steven Gerrard”.

Gerrard está claramente ansioso para provar o seu valor antes de seguir a rota de muitos ex-jogadores, voltando logo para uma oportunidade de estágio no time principal, como aconteceu com Ryan Giggs.

Gerrard pode se tornar o treinador do Liverpool no futuro? Ele está se preparando para isso. (Foto: This is Anfield)

Mas se os seus comandados continuarem a progredir em Kirkby, não demorará muito se falar de Steven Gerrard no banco de reservas do Anfield Road, apesar de Jurgen Klopp não estar planejando deixar o time pelo menos antes de 2022, quando seu contrato atual expira.

Certamente parece muito cedo para Gerrard assumir o controle em Anfield, mas dado seu excelente começo de trabalho nas categorias de base, ele parece ser um técnico estelar em construção.

Texto originalmente escrito por Jack Lusby, do This is Anfield.

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Defensor assíduo do futebol inglês

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