A temporada 2017/18 do Burnley tem sido espetacular. Se na temporada passada o time lutou contra o rebaixamento, nesta jornada já supera as expectativas com um excelente início de Premier League, inclusive tendo já enfrentado times que brigam pelo título. Mas quais são os trunfos desta equipe? Listamos 5 motivos que explicam o êxito do modesto clube de Lancashire.

1- A evolução de Sean Dyche

É impossível não creditar a excelente campanha do Burnley nesta Premier League a Sean Dyche – não à toa, tem a sua filosofia de trabalho frequentemente comparada a de José Mourinho. Dyche guiou os Clarets à Premier League pela primeira vez na história na temporada 2014/15, mas na mesma edição viu o seu time ser rebaixado na vice-lanterna.

O descenso não afetou o trabalho do treinador, que permaneceu no clube e conduziu mais um acesso – desta vez como campeão da Championship. O inglês agora caminha a passos largos para manter o Burnley pela segunda temporada consecutiva na divisão de elite, desta vez, sem grandes sustos como na temporada passada, onde a equipe terminou na 16ª colocação: há 6 pontos do primeiro rebaixado (Hull City).

Muito dessa segurança passa pelo equilíbrio defensivo encontrado por Dyche. Se na temporada 2016/17 o Burnley já havia sofrido 25 gols em 15 jogos, nesta temporada o time concedeu apenas 12 (uma redução de pouco mais de 50%); sendo assim a terceira melhor defesa da liga, atrás apenas da dupla de Manchester. Foram seis jogos sem sofrer gols, três de forma consecutiva (nas vitórias sobre Newcastle, Southampton e Swansea, respectivamente).

Foto: Getty Images

Se a defesa tem feito a sua parte, o ataque tem sido fatal. Os Clarets anotaram apenas 14 gols (média de menos que um por jogo). Número baixo, porém o suficiente para vencer sete dos 15 jogos até aqui. Fica claro a evolução que o Manager conseguiu através de um time equilibrado, que busca manter a calma e a eficiência em todos os jogos.

2- Visitante indigesto

A vitória do Burnley sobre o Chelsea por 3 a 2 em pleno Stamford Bridge, na primeira rodada, foi classificado pela maioria da imprensa inglesa como um ponto fora de curva. Afinal, quem iria depositar tamanha confiança em uma equipe que se via em apuros fora de casa nas temporadas anteriores? No entanto, contrariando toda a estatística, o Burnley já soma 14 pontos em sete jogos longe de seus domínios. Para se ter uma ideia, este desempenho já é igual a sua melhor pontuação fora de casa na Premier League (em 2015/16, considerando todos os 19 jogos).

Apenas Manchester City e Chelsea tem um retorno melhor longe de casa até então. O Turf Moor, que antes era uma fortaleza, agora vê o seu mandante fazer bonito como convidado. Em sete vitórias, quatro foram fora do estádio.

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3- Entrosamento britânico

Em uma liga caracterizada pela presença de jogadores de todas as partes do mundo, o Burnley aposta no entrosamento de jogadores da Grã-Bretanha. O time tem mantido um XI inicial de pelo menos sete jogadores britânicos desde que começou a temporada, sendo assim o time mais “doméstico” da liga.

Foto: Getty Images

O entrosamento é mais evidente no sistema defensivo. O inglês Nick Pope (que substitui atualmente o titular absoluto e capitão Heaton) traz a segurança frente à baliza. A dupla de zagueiros, também ingleses, Tarkowski e Mee, representam solidez e equilíbrio para o time (o primeiro inclusive está muito próximo de uma convocação para a seleção inglesa). Nas laterais, o experiente irlandês Ward e o constante nativo Lowton fecham o ferrolho do time, que na maioria das vezes se torna intransponível.

Brady, Cork e Hendrick – e por vezes Vokes – são mais quatro nomes frequentes na escalação de Dyche, que aproveita o domínio da cultura britânica a seu favor.

4- Reservas de “luxo”

Com a contusão do goleiro titular Tom Heaton, na quarta rodada da Premier League, houve de fato um estado de insegurança por parte dos torcedores do Burnley. Afinal, em seu lugar entraria Nick Pope: um goleiro de 25 anos que até então não havia feito uma partida sequer na divisão de elite do futebol inglês. No entanto, o que se vê do arqueiro em campo contraria toda e qualquer expectativa prévia que fora criada. Em 11 partidas como titular, Pope soma incríveis cinco Clean Sheets, ajudando assim os Clarets a conquistarem pontos importantíssimos.

Alguns outros reservas não têm decepcionado quando são acionados em campo. O atacante galês Sam Vokes – que era titular no começo da temporada mas perdeu vaga para o neozelandês Chris Wood – tem deixado sua contribuição mesmo saindo do banco. Foi dele o gol da vitória sobre o Southampton na 11ª rodada, substituindo o próprio Wood no segundo tempo.

O austríaco Ashley Barnes começou como titular apenas em três jogos, mas também contribuiu positivamente com o gol do desfecho sobre o Swansea City, na vitória por 2 a 0 na 12ª rodada. 11 jogadores diferentes participaram dos 14 gols feitos da equipe até aqui na liga: um equilíbrio que surge com a boa fase de quem entra em campo – inclusive saindo do banco.

5- Inteligência no mercado de transferências

O Burnley perdeu dois jogadores-chaves na última janela de transferências: O zagueiro Michael Keane foi para o Everton, enquanto que o atacante Andre Gray passou a representar o Watford. Mesmo com a boa quantia recebida por ambos, o time de Lancashire decidiu que não iria fazer grandes investimentos impensados – como os casos do próprio Everton e do West Ham; ambos atrás do Burnley na tabela.

Para substituir Keane, Sean Dyche decidiu apostar em um reserva na temporada passada: James Tarkowski. O beque inglês de 25 anos não poderia ter dado um retorno melhor. Ele passa segurança e solidez à linha de quatro utilizada pelo técnico.

Para o lugar de Gray, chegou um atacante da Championship. Chris Wood foi para a Premier League, mas os gols continuam saindo assim como fazia na segunda divisão. Outros reforços importantes – como Cork, Bardsley e Walters – chegaram por preços bem acessíveis e estão dando resultado em campo (exceto Walters, que ainda se recupera de lesão).

Foto: Ian Hodgson

Ainda é muito cedo para afirmar até onde o Burnley pode chegar nesta temporada. Mas uma coisa é certa: o modesto time tem dado um baile numa liga cheia de estrelas estrangeiras e que cada vez mais preza pelos gastos excessivos.

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Defensor assíduo do futebol inglês

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